Revista Poder

Críticas viram recuo e Trump decide manter Powell no cargo até o fim de seu mandato

Jerome Powell || Créditos: CC/Flickr/Federalreserve

Depois de semanas de incerteza e declínio acentuado nas ações de Wall Street, o presidente Donald Trump recuou publicamente em relação às ameaças contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed). Em entrevista à NBC, Trump garantiu que não pretende demitir Powell antes do fim de seu mandato, que termina em maio de 2026.

Esse sinal de estabilidade chega em um momento delicado para os mercados financeiros. As críticas constantes de Trump ao Fed haviam gerado temores sobre a autonomia da instituição, o que refletiu diretamente nas bolsas de valores. Agora, ao afirmar que “não há motivo para substituí-lo”, o presidente tenta restabelecer a confiança dos investidores.

Pressão sobre os juros continua

Apesar da trégua, Trump não esconde sua insatisfação com as taxas de juros elevadas, hoje entre 4,25% e 4,50% ao ano. Durante a entrevista, ele repetiu sua posição: “Ele deveria baixá-las. Em algum momento, ele o fará”. Para Trump, Powell age de forma “totalmente rígida” e mantém os juros altos por motivos políticos, sugerindo que o chefe do Fed “não gosta dele”.

Mesmo assim, o republicano parece aceitar que, até o fim do mandato de Powell, a condução da política monetária seguirá independente. Isso pode representar um gesto estratégico, tanto para o eleitorado quanto para os mercados.

Estratégia eleitoral e comércio em foco

Além da questão monetária, Trump também abordou temas centrais de sua campanha. Ele sinalizou que as tarifas comerciais podem continuar, afirmando que só assim se incentiva a produção dentro dos EUA. Segundo ele, “se achassem que as tarifas seriam removidas, ninguém investiria aqui”.

Nesse contexto, o governo americano já negocia acordos com mais de 15 países, tentando evitar novas disputas comerciais. Trump, no entanto, evitou confirmar se as tarifas contra a China seriam mantidas ou não, mantendo o tom de imprevisibilidade.

Ambições futuras e declarações polêmicas

Trump também falou sobre as eleições de 2028. Apesar de flertar com a ideia de um terceiro mandato, proibido pela constituição, disse não ter intenção de concorrer novamente. “Espero ter quatro ótimos anos e passar o bastão”, afirmou, citando nomes como JD Vance e Marco Rubio como possíveis sucessores republicanos.

Em tom provocador, voltou a mencionar sua ideia de anexar o Canadá ao território dos Estados Unidos. Disse que se encontrará com o novo primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e considera “altamente improvável” o uso de força militar para isso, mas não descartou completamente a possibilidade.

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