Os Estados Unidos, sob a gestão do ex-presidente Donald Trump, estão tentando reduzir a força de um novo acordo global que visa ajudar países pobres a lidar com os efeitos das mudanças climáticas. Um documento da Organização das Nações Unidas (ONU), obtido com exclusividade, mostra que o governo americano quer excluir palavras-chave como “clima”, “igualdade de gênero” e “sustentabilidade” do texto oficial em negociação.
A medida, que circula entre representantes de 193 países, acendeu um alerta entre diplomatas e ativistas. Segundo os trechos analisados, os EUA também se opõem a reformas no sistema financeiro global que poderiam ampliar o acesso ao crédito para países em desenvolvimento.
Cortes e recuos
A proposta americana substitui compromissos concretos por frases vagas e genéricas. Por exemplo, um trecho que dizia “reformar a arquitetura financeira internacional” foi suavizado para “reconhecer a necessidade de melhorar a resiliência”. Na prática, isso dilui a obrigação de ação dos países mais ricos.
Além disso, o documento mostra que o governo Trump não quer se comprometer com apoio financeiro contínuo a programas sociais em momentos de crise, como desastres naturais ou pandemias. A oposição inclui ainda a exclusão de trechos que defendem a eliminação de subsídios aos combustíveis fósseis e a transparência fiscal.
A conferência que pode mudar tudo
As mudanças propostas estão sendo discutidas na preparação da 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FFD4), marcada para junho, em Sevilha, na Espanha. A cada dez anos, o evento reúne líderes mundiais para decidir os rumos das políticas de financiamento internacional.
Especialistas apontam que a conferência será decisiva para definir como o mundo vai financiar ações climáticas, reduzir desigualdades e apoiar economias mais frágeis. “É a chance de corrigir injustiças históricas no sistema financeiro global”, disse um diplomata europeu sob condição de anonimato.
A influência americana
Como maior acionista do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), os EUA têm grande poder sobre decisões estratégicas nessas instituições. O governo Trump já havia reduzido drasticamente a ajuda externa e saído do Acordo de Paris. Agora, tenta consolidar sua política de prioridade nacional, deixando em segundo plano os compromissos multilaterais.
De acordo com o documento, os EUA também se opõem à criação de impostos internacionais sobre atividades poluentes ou contribuições solidárias para financiar projetos sustentáveis. A proposta de reformar as agências de classificação de risco, para dar mais alívio fiscal a países que investem em ações verdes, também foi rejeitada.