O ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi afirmou nesta segunda-feira (8) que o governo federal já monitorava denúncias de irregularidades nas aposentadorias desde 2023. Essas queixas chegavam por meio da ouvidoria e da plataforma Meu INSS. No entanto, segundo ele, o Executivo não conseguiu medir a extensão do esquema que, de acordo com a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU), desviou cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Lupi destacou que a gravidade só ficou clara após as investigações da PF. “Nunca tivemos a capacidade de dimensionar o tamanho, o volume que esses criminosos fizeram no INSS. Isso só foi possível depois que a Polícia Federal investigou para valer, quando ela não arquivou”, declarou.
Falta de ação mais enérgica
O ex-ministro, que comandou a pasta entre 2023 e 2025, pediu demissão em maio logo após a operação da PF. Ele reconheceu falhas na condução do caso e admitiu que a instrução normativa elaborada pelo INSS em 2024 não funcionou como o governo esperava. “Falhamos em ter uma ação mais enérgica do INSS para coibir”, disse.
Lupi acrescentou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só soube das irregularidades no dia da operação. Ele também reforçou que não foi citado nas investigações. “Errar é humano e eu posso ter errado várias vezes, mas má-fé eu nunca tive. Acobertar desvios nunca fiz na minha vida. Pode ter alguém que tenha lutado tanto pelos aposentados quanto eu, mais não tem não”, afirmou.
Debate sobre consignado
Além disso, Lupi defendeu a revisão dos empréstimos consignados destinados a aposentados e pensionistas. “É importante ir fundo nesse processo de descontos que se faz junto aos aposentados e pensionistas pelo empréstimo consignado. Agora acabaram com o desconto em folha dos associativos, por que não acabar também com os descontos de crédito consignado?”, questionou.
Tensão política na CPMI
A sessão também registrou embates entre parlamentares. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) pediu a suspensão do senador Rogério Marinho (PL-RN), argumentando que ele teria conflito de interesse, já que foi secretário Especial da Previdência no governo Bolsonaro. Entretanto, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) negou o pedido e alegou que Marinho não está sendo investigado. Pimenta anunciou que recorrerá à Mesa Diretora da Câmara.
Além desse episódio, a CPMI aprovou convites e convocações de ex-ministros da Previdência e ex-presidentes do INSS desde 2015, bem como de dirigentes de entidades acusadas de desviar recursos. Os parlamentares também decidiram ouvir Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti, apontados pela PF como operadores do esquema.
O escândalo dos descontos
Em abril, a Operação Sem Desconto revelou que mais de 4 milhões de beneficiários sofreram débitos não autorizados em suas aposentadorias e pensões. O governo calcula que 2 milhões de pessoas já aderiram a acordos de ressarcimento dos valores indevidos.
Fonte: Agencia Brasil
