Depois de seis semanas de paralisia, o Senado dos Estados Unidos aprovou nesta segunda-feira (10) um acordo que põe fim ao mais longo shutdown da história do país. A medida busca restabelecer o funcionamento de repartições públicas, reverter demissões e normalizar o pagamento de salários de milhares de servidores federais afetados pela suspensão das atividades do governo.
O avanço da proposta só foi possível após parte dos democratas decidir votar com os republicanos, permitindo a retomada da tramitação do pacote orçamentário. O texto agora segue para a Câmara dos Representantes, que deve apreciá-lo ainda nesta semana. Se aprovado, o projeto será encaminhado ao presidente Donald Trump para sanção, encerrando oficialmente o bloqueio administrativo que já dura 41 dias.
O shutdown teve início após o fracasso das negociações entre os dois principais partidos no Congresso, que não chegaram a um consenso sobre o orçamento federal. Sem a aprovação de novos recursos, o governo foi obrigado a suspender uma série de serviços, provocando atrasos em aeroportos, prejuízos econômicos e o afastamento de funcionários públicos.
O acordo costurado no Senado prevê, entre outros pontos, a restauração parcial das vagas perdidas durante a paralisação e a manutenção, por um ano, dos recursos destinados ao Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP), responsável por subsidiar a alimentação de famílias de baixa renda.
Em contrapartida, os democratas abriram mão de impor condições relacionadas à Lei de Cuidados Acessíveis (Affordable Care Act, o Obamacare), uma de suas principais bandeiras, em troca do voto favorável dos republicanos. Analistas políticos em Washington interpretaram o gesto como uma concessão significativa, embora o acordo preveja uma nova votação sobre os subsídios de saúde em dezembro.
Durante as semanas de impasse, a paralisação causou impacto direto na vida dos americanos, interrompendo o pagamento de salários, restringindo o acesso a parques nacionais e comprometendo o funcionamento do tráfego aéreo. A Casa Branca chegou a admitir que, se o bloqueio se estendesse por mais tempo, o crescimento econômico do país poderia ser afetado no último trimestre do ano.
As discussões orçamentárias ocorreram em meio à pressão de Donald Trump por uma revisão do sistema de saúde. O presidente voltou a defender que os subsídios do Obamacare sejam substituídos por pagamentos diretos às famílias, posição criticada pela oposição, que vê na proposta uma tentativa de enfraquecer a cobertura de pessoas com condições pré-existentes.
Enquanto democratas e republicanos ainda divergem sobre o futuro da política de saúde, o acordo de financiamento representa, por ora, um respiro para o funcionalismo público e uma tentativa de recuperar a normalidade administrativa. A expectativa é de que o texto seja aprovado na Câmara até quarta-feira (12), permitindo a reabertura total do governo antes do feriado de Ação de Graças.