O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou na semana passada uma conversa reservada com o líder venezuelano Nicolás Maduro. O telefonema, confirmado por assessores do governo, não apareceu na agenda oficial do presidente e só veio à tona após confirmação de integrantes do Planalto.
O diálogo marca a primeira aproximação direta entre os dois desde 2024, quando Lula deixou de reconhecer a reeleição de Maduro, o que provocou um afastamento imediato entre os governos. Antes disso, os dois mantinham relação política próxima desde a chegada do venezuelano ao poder.
A reaproximação ocorre em um momento especialmente delicado. A tensão entre Estados Unidos e Venezuela aumentou nas últimas semanas, com declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que não descarta o envio de tropas ao país vizinho e afirma que o governo de Maduro vive seus “dias finais”. A região do Caribe também tem registrado ataques a embarcações atribuídos a forças norte-americanas, que já deixaram dezenas de mortos.
Lula voltou a defender que a América do Sul e o Caribe devem ser tratados como zona de paz e reafirmou a disposição do Brasil em atuar como mediador de conflitos. A ligação, que durou cerca de quarenta minutos, também abordou temas como economia e combate ao crime organizado. Segundo o Planalto, Lula observou que a retirada recente de tarifas de 40 por cento sobre alguns produtos brasileiros pelos Estados Unidos foi um passo positivo, mas insistiu que outras barreiras comerciais ainda precisam ser revistas.
A conversa ocorreu na mesma semana em que Lula falou por telefone com Donald Trump. O presidente norte-americano classificou o diálogo como “bom”, afirmando que o foco principal foi comércio e sanções sobre produtos brasileiros, mas evitou fornecer mais detalhes.