O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nesta segunda-feira, na Casa Branca, a retórica contra o governo de Nicolás Maduro. Em conversa concedida ao portal Politico, o republicano afirmou que o líder venezuelano está “perto do fim” e não descartou que forças norte-americanas possam atuar diretamente no país vizinho.
Questionado sobre a possibilidade de uma incursão terrestre, Trump inicialmente evitou o tema. Preferiu acusar Maduro de estimular a saída de milhões de venezuelanos rumo aos Estados Unidos, citando prisões, instituições psiquiátricas e redes de tráfico, sem apresentar evidências. O presidente ainda responsabilizou seu antecessor, Joe Biden, pelo aumento da imigração irregular entre 2021 e 2024.
Pressionado novamente pela repórter Dasha Burns, Trump declarou que não deseja conduzir uma invasão, mas se recusou a detalhar qualquer plano para a Venezuela. Disse apenas que não comentaria “estratégias militares”.
O republicano ampliou o discurso ao afirmar que poderia estender ações militares a países latino-americanos e caribenhos que, segundo ele, estariam associados ao narcotráfico, citando México e Colômbia.
A escalada verbal ocorre em meio a um aumento significativo da tensão entre Washington e Caracas nas últimas semanas. A movimentação de tropas dos EUA no Caribe e declarações duras de ambos os lados elevaram o clima regional. No fim de novembro, Trump afirmou que o espaço aéreo venezuelano deveria ser “considerado fechado”, o que o governo de Maduro classificou como uma “agressão ilegal”.
Conflito na Ucrânia e críticas à Europa
A entrevista também abordou a guerra na Ucrânia. Trump voltou a responsabilizar o governo Biden pela eclosão do conflito e afirmou que, sob sua presidência, a Rússia não teria avançado militarmente. Segundo ele, uma proposta de cessar-fogo elaborada pelos Estados Unidos já está nas mãos do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
O líder norte-americano voltou a defender que a Ucrânia realize novas eleições. Embora o mandato de Zelensky tenha terminado, o país permanece em estado de sítio desde a invasão russa, o que suspendeu qualquer possibilidade de votação.
Trump aproveitou para criticar a atuação de países europeus no conflito, dizendo que adotam um discurso “sem ações concretas”. Afirmou também que a política migratória de diversas nações do continente é “desastrosa”, comparando-a aos controles implementados em seu próprio governo.
Em um dos momentos mais duros da entrevista, Trump classificou o prefeito de Londres, Sadiq Khan, como um “desastre” e insinuou que sua eleição teria sido possível graças ao crescimento de populações imigrantes no Reino Unido. Ele ainda citou a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ao afirmar que líderes europeus se deixam guiar por uma busca excessiva por “correção política”, o que, segundo ele, os tornaria frágeis.
Economia e tarifas
Ao avaliar sua própria política econômica, Trump deu a si mesmo a nota máxima. A repórter apresentou a posição de uma eleitora que elogia a condução econômica, mas se preocupa com o aumento do custo de vida. O presidente disse estudar isenções fiscais em alguns produtos, embora também tenha sinalizado que pretende ampliar tarifas sobre determinadas importações.
