IPCA-15 de dezembro reforça expectativa de cortes de juros apenas a partir de março

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O resultado do IPCA-15 de dezembro reforçou a avaliação de economistas de que o Banco Central deve iniciar o ciclo de cortes de juros apenas em março de 2026. A prévia da inflação avançou 0,25% no mês, dentro das expectativas do mercado, e levou o acumulado em 12 meses a 4,41%, abaixo do teto da meta, mas ainda distante do centro de 3%.

O dado confirma um padrão observado ao longo de 2025: enquanto alimentos e bens industriais seguem contribuindo para a desaceleração da inflação, os preços de serviços continuam resistentes, limitando o espaço para uma flexibilização mais rápida da política monetária.

Em dezembro, fatores sazonais pressionaram o índice, como a alta das passagens aéreas e de serviços ligados ao turismo e ao lazer, típicos do período de festas. Por outro lado, alimentos no domicílio e bens industriais voltaram a registrar deflação, ainda refletindo os efeitos residuais de promoções comerciais realizadas nos meses anteriores.

Para analistas, o principal ponto de atenção não está no número cheio, mas na composição do índice. Os itens de serviços mais intensivos em trabalho mostraram aceleração em relação ao mês anterior e permanecem em patamar elevado, comportamento associado à força do mercado de trabalho e ao nível de renda. Esse cenário reforça a necessidade de cautela por parte do Comitê de Política Monetária (Copom).

Embora alguns analistas ainda considerem possível o início da flexibilização já em janeiro, essa leitura depende de uma desaceleração mais clara da inflação de serviços, o que ainda não se confirmou nos dados recentes. A avaliação predominante segue sendo de que o Banco Central deverá aguardar sinais mais consistentes antes de iniciar os cortes.

Ao longo de 2025, a inflação apresentou trajetória de desaceleração, impulsionada principalmente pela melhora nos preços de alimentos e por um comportamento mais benigno dos bens industriais, favorecido também pela queda do dólar. No entanto, a persistência da inflação de serviços, especialmente nos componentes ligados ao emprego e à renda, manteve o processo de desinflação lento e desigual entre os grupos.

As expectativas de mercado refletem esse cenário. As projeções para o IPCA em 2025 e 2026 recuaram, mas seguem acima do centro da meta. Nos horizontes mais longos, a convergência da inflação para níveis próximos de 3% aparece de forma gradual, indicando que o trabalho do Banco Central continuará desafiador nos próximos anos.

 

Fonte: Bloomberg Línea