Lula dá posse a Gustavo Feliciano no Turismo e sela nova acomodação com o União Brasil

Presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá posse nesta terça-feira a Gustavo Feliciano como novo ministro do Turismo, em cerimônia no Palácio do Planalto. A nomeação ocorre após o União Brasil reivindicar a pasta, que até então era comandada por Celso Sabino, expulso da legenda por ter resistido à orientação partidária de deixar o governo federal.

O episódio expôs as contradições internas do União Brasil. Em setembro, o partido anunciou o rompimento formal com o governo Lula e aprovou uma resolução exigindo que seus filiados abandonassem cargos no Executivo. Sabino contrariou a decisão e permaneceu à frente do ministério, o que resultou em sua expulsão. Ainda assim, a legenda manteve o interesse político pela pasta e pressionou o Planalto para indicar um novo nome.

A negociação abriu espaço para uma reaproximação entre o governo e setores do União Brasil, especialmente a bancada governista da sigla na Câmara dos Deputados. O grupo defendeu a manutenção de um representante do partido na Esplanada dos Ministérios, argumento que pesou na escolha de Feliciano.

Embora esteja atualmente sem filiação partidária, Gustavo Feliciano tem trajetória ligada ao União Brasil na Paraíba. Ele já integrou o diretório estadual da legenda, comandado pelo senador Efraim Filho, e é filho do deputado Damião Feliciano. Entre 2019 e 2021, ocupou o cargo de secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico do governo paraibano.

A nomeação também dialoga com o cenário político no Congresso. Feliciano é aliado do presidente da Câmara, Hugo Motta, que retomou o diálogo com o Planalto após divergências com Lula em torno do projeto de lei conhecido como Antifacção. Nas redes sociais, Motta celebrou a escolha e destacou a afinidade regional e política com o novo ministro.

Apesar do discurso de rompimento, o União Brasil preservou espaço no governo. Permaneceram intocados os ministros Waldez Góes, no Desenvolvimento Regional, e Frederico Siqueira, nas Comunicações. Ambos são apadrinhados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e não sofreram sanções internas, mesmo após a resolução partidária.

Waldez Góes, filiado ao PDT, está no governo desde o início do mandato de Lula e ocupa a pasta por indicação de Alcolumbre. Já Frederico Siqueira assumiu o Ministério das Comunicações em abril, após a saída de Juscelino Filho, denunciado pela Procuradoria-Geral da República por suspeitas envolvendo emendas parlamentares.

A sucessão na área das Comunicações evidenciou as disputas internas do União Brasil. Após a saída de Juscelino, o partido chegou a anunciar o deputado Pedro Lucas como futuro ministro. Dias depois, ele recuou publicamente do convite, em meio a embates internos e ao receio de perda de influência da ala mais próxima da direção nacional na Câmara.

A posse de Gustavo Feliciano, portanto, vai além de uma simples troca ministerial. Ela simboliza o esforço do governo Lula para reorganizar sua base no Congresso e administrar as tensões com um partido que, mesmo declarando afastamento, segue exercendo influência relevante na estrutura do Executivo.