Revista Poder

Thiago Cabral e a arquitetura como ativo estratégico no Litoral Norte

CEO do Grupo ABC Empreendimentos, Thiago Cabral fala sobre arquitetura autoral, visão de longo prazo e os desafios do mercado imobiliário catarinense

Thiago Cabral - CEO - Foto Divulgação

À frente do Grupo ABC Empreendimentos, Thiago Cabral representa uma nova geração de líderes do mercado imobiliário catarinense — guiada por visão de longo prazo, leitura urbana apurada e um compromisso claro com arquitetura, legado e qualidade de vida. Com atuação estratégica no Litoral Norte de Santa Catarina, o grupo consolidou-se como uma das forças mais relevantes do setor, combinando produtos residenciais, loteamentos, ativos logísticos e projetos multissetoriais que reposicionam cidades inteiras. Nesta conversa, Thiago fala sobre a centralidade da arquitetura autoral na estratégia da ABC, os desafios de atuar em um dos mercados mais disputados do país e como a empresa encerra um ciclo de forte crescimento, preparada para os próximos movimentos.

A ABC Empreendimentos tem feito uma aposta consistente em arquitetura autoral, reunindo nomes como Arthur Casas, Jayme Bernardo e Leo Maia. Por que essa estratégia é tão central para o negócio?

Porque arquitetura autoral não é custo, é ativo. Quando você entrega um projeto genérico, disputa preço. Quando entrega identidade, disputa valor — e valor no longo prazo. A ABC entende cada empreendimento como uma peça única, quase como uma obra de arte aplicada à cidade. Para atingir esse patamar, é necessário mais tempo, mais cuidado e mais convicção. Em contrapartida, o resultado é um produto atemporal, capaz de atravessar ciclos econômicos sem perder relevância. É uma forma de proteger o patrimônio de quem compra e deixar um legado urbano consistente.

A Praia Brava vive um momento de forte valorização e grande oferta de produtos premium. O que diferencia o Bravo Residences de tudo o que já existe na região?

O Bravo nasce da escassez de terrenos e de unidades, mas também de uma escolha consciente por propósito. São apenas seis apartamentos, um por andar, frente ao mar, com arquitetura integralmente assinada por Arthur Casas — algo inédito em Santa Catarina. Mas a diferença vai além da assinatura. O projeto foi pensado como um refúgio contemporâneo, onde tudo tem um porquê: desde a decisão de não criar uma cobertura, para democratizar a melhor área do rooftop, até o paisagismo biocêntrico de Ricardo Cardim, passando pela escolha de materiais, esquadrias e tecnologia. É um edifício que não tenta impressionar pelo volume, mas pela coerência e pela experiência.

O ano de 2025 marca entregas relevantes e números expressivos para o grupo. Como a ABC chega ao final deste ciclo?

Chegamos mais focados, mais seletivos e mais conscientes do nosso papel no território. Nos últimos três anos, lançamos mais de R$ 3,5 bilhões em VGV, entregamos cerca de 2 mil unidades e estruturamos um dos maiores landbanks da região. Mas, muito além do volume, é a qualidade do que foi entregue que realmente nos define. Em 2025, concluímos dois projetos autorais emblemáticos e fortalecemos nossa atuação no mercado de ativos voltados ao investidor de longo prazo. A ABC encerra o ano com caixa saudável, portfólio diversificado e uma estratégia clara de crescimento sustentável.

O Litoral Norte catarinense é hoje um dos mercados mais disputados do país. Quais são os principais desafios para se destacar nesse ambiente?

O maior desafio é resistir à tentação do curto prazo. Em um mercado aquecido, é fácil acelerar demais, repetir fórmulas ou sacrificar padrão. A ABC faz o caminho inverso: escolhe melhor os terrenos, assume mais risco criativo e aposta em projetos que façam sentido daqui a 10 ou 20 anos. A escassez de áreas nobres exige inteligência urbana, responsabilidade e visão de longo prazo. Quem entende isso não está apenas vendendo imóveis — está construindo cidades. E isso muda completamente o jogo.

 

Fotos: Divulgação

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