A Rússia anunciou nesta terça-feira, dia 30, que pretende adotar uma postura mais rígida nas negociações sobre o conflito na Ucrânia. O anúncio foi feito após Moscou acusar Kiev de ter promovido um ataque com drones contra uma das residências do presidente Vladimir Putin, alegação para a qual o governo russo não apresentou provas.
Durante entrevista coletiva diária, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que o episódio terá impacto direto no diálogo diplomático. Segundo ele, as supostas ações ucranianas levarão a um “endurecimento da postura de negociação da Federação da Rússia”.
Peskov declarou ainda que, na avaliação do Kremlin, não haveria necessidade de apresentar evidências adicionais do ataque. De acordo com ele, a Rússia considera que houve uma ofensiva em larga escala com drones, que teria sido neutralizada graças ao funcionamento do sistema de defesa aérea do país.
A Ucrânia, por sua vez, rejeitou categoricamente as acusações e voltou a exigir provas por parte de Moscou. O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andriy Sybiga, afirmou que a Rússia não apresentou “nenhuma evidência plausível” para sustentar a alegação de um ataque à residência do presidente russo.
Em publicação nas redes sociais, Sybiga disse que, mesmo após quase um dia das acusações, o governo russo não apresentou qualquer indício concreto do suposto ataque. Segundo o chanceler, isso ocorre porque o episódio simplesmente não teria acontecido. “Nenhum ataque desse tipo ocorreu”, escreveu.
As declarações elevam a tensão diplomática entre os dois países em um momento em que já há dificuldades para avanços significativos nas negociações que buscam uma solução para o conflito iniciado em fevereiro de 2022.