EUA elevam tom contra Colômbia e sinalizam possível ação direta contra o narcotráfico

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a adotar um discurso duro em relação à América Latina ao afirmar que a Colômbia representa um problema direto para a segurança americana por, segundo ele, alimentar o tráfico de cocaína destinado aos Estados Unidos. A declaração foi feita neste domingo, durante entrevista concedida a jornalistas a bordo do avião presidencial, e incluiu críticas ao governo colombiano e ameaças veladas de ações em território estrangeiro.

Trump descreveu a Colômbia como um vizinho instável e acusou o país de lucrar com a exportação de drogas. Também afirmou que o atual presidente colombiano não permanecerá muito tempo no poder, em uma fala interpretada por analistas como ingerência direta em assuntos internos de outro Estado. Sem apresentar detalhes operacionais, o presidente americano indicou que Washington avalia realizar ofensivas contra estruturas ligadas à produção de cocaína no território colombiano.

Segundo Trump, os Estados Unidos não aceitarão passivamente a atuação de países que, na visão de sua administração, contribuem para o avanço do narcotráfico em direção ao mercado americano. A retórica reforça uma estratégia de enfrentamento mais agressiva, que vai além da cooperação diplomática e policial tradicionalmente adotada no combate às drogas.

O presidente também voltou a defender uma atuação mais assertiva dos Estados Unidos no hemisfério ocidental ao comentar a situação da Venezuela. Para Trump, a proximidade geográfica torna inevitável o envolvimento americano em crises regionais. Ele classificou o país vizinho como mais um exemplo de instabilidade que ameaça a ordem continental e afirmou que Washington tem interesse direto em garantir governos funcionais ao seu redor.

As declarações se inserem no que Trump chama de doutrina “Don-Roe”, uma releitura contemporânea da histórica Doutrina Monroe, que orienta a política externa americana para a América Latina. O conceito reforça a ideia de que os Estados Unidos devem atuar de forma decisiva para proteger seus interesses estratégicos no continente.

Especialistas em relações internacionais alertam que o discurso pode agravar tensões diplomáticas e abrir espaço para conflitos regionais, sobretudo se ameaças se converterem em ações concretas. Até o momento, não houve resposta oficial do governo colombiano às falas do presidente americano.