Em meio à recente alta das ações de gigantes petrolíferas dos Estados Unidos — como Chevron, ConocoPhillips e ExxonMobil — analistas de mercado consideram que é prematuro apostar nos papéis dessas empresas com base na expectativa de expansão da produção venezuelana.
Segundo o analista de commodities da WHG | Wealth High Governance, João Lorenzi, apesar da euforia recente, a mudança no volume e no custo de produção de petróleo na Venezuela ainda enfrenta obstáculos significativos, que passam por investimentos bilionários e prazos longos para recuperação da infraestrutura do país vizinho.
A Venezuela detém algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, mas sua produção está muito abaixo do potencial devido a anos de má gestão, falta de manutenção e sanções internacionais que afetaram a estatal PDVSA e toda a cadeia produtiva. Para que as companhias estrangeiras aumentem efetivamente a extração e exportação de óleo venezuelano, especialistas apontam que seriam necessários investimentos vultosos em modernização de plataformas, refinarias e sistemas de transporte, além de garantias legais e estabilidade política que hoje ainda são incertas.
Nesse cenário, Lorenzi avalia que a realização de grandes investimentos e, consequentemente, os ganhos esperados com a recuperação da indústria petrolífera venezuelana, devem levar pelo menos dois anos para começar a impactar o mercado de ações com segurança.
Enquanto isso, diz ele, países da região com custos de produção mais competitivos, como México e Colômbia, podem sentir os efeitos dessa transição com maior intensidade no curto prazo, enquanto investidores aguardam sinais mais concretos de retomada e de condições mais claras para investimentos estrangeiros no setor energético venezuelano.
Fonte: Pipeline