Revista Poder

Possível saída de Augusto Nardes pode abrir nova vaga no TCU em 2026

Foto: Instagram

Em meio ao aumento de visibilidade do Tribunal de Contas da União nas últimas semanas, impulsionado pelas discussões sobre a atuação do Banco Central no caso do Banco Master, o órgão de controle pode enfrentar uma nova mudança em sua composição. O ministro Augusto Nardes avalia a possibilidade de antecipar sua aposentadoria, o que abriria mais uma vaga na Corte ainda em 2026.

Nardes só atingiria a idade limite para aposentadoria compulsória em outubro de 2027, mas tem sinalizado a interlocutores a intenção de deixar o tribunal antes desse prazo. A motivação seria uma eventual candidatura a deputado federal pelo Rio Grande do Sul, hipótese que vem sendo discutida nos bastidores políticos.

Apesar das conversas internas, o ministro ainda não bateu o martelo sobre a saída antecipada nem sobre a candidatura. Pessoas próximas relatam que ele compartilhou as dúvidas com colegas do tribunal, mas segue avaliando o cenário político. Procurado para comentar o assunto, Nardes preferiu não se manifestar.

Augusto Nardes integra o grupo de ministros indicados pela Câmara dos Deputados ao TCU. Além dele, fazem parte desse bloco Aroldo Cedraz, que se aposenta neste mês, e Jhonatan de Jesus, atual relator do processo que apura uma possível omissão do Banco Central nas operações envolvendo o Banco Master. A investigação é acompanhada de perto pelo mercado, que vê o caso como sensível diante da liquidação extrajudicial da instituição financeira.

Natural de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, Nardes tem trajetória consolidada na política. Antes de chegar ao TCU, exerceu três mandatos como deputado federal pelo PP. No tribunal, ganhou projeção nacional ao relatar as contas do governo de 2015, rejeitadas pela Corte, decisão que contribuiu para o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O Tribunal de Contas da União é composto por nove ministros, distribuídos entre indicações da Câmara, do Senado, do presidente da República, além de representantes do corpo de auditores e do Ministério Público de Contas. A eventual abertura de duas vagas em um curto intervalo tende a intensificar as articulações políticas no Congresso.

A cadeira deixada por Aroldo Cedraz já movimenta disputas intensas. O presidente da Câmara, Hugo Motta, havia sinalizado apoio a uma indicação do PT como parte de acordos políticos, e o nome preferido do partido é o do deputado Odair Cunha. No entanto, setores do Centrão contestam esse entendimento e articulam alternativas.

O PSD defende a indicação do deputado Hugo Leal, enquanto Danilo Forte também demonstra interesse na vaga. Outros parlamentares, como Elmar Nascimento e Pedro Paulo, aparecem como opções em discussão. Fora do eixo partidário tradicional, o conselheiro Cezar Miola, do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul, surge como um nome técnico respeitado, apoiado por integrantes da bancada gaúcha.

Caso a saída de Nardes se confirme, a abertura de uma segunda vaga no TCU ainda em 2026 promete alterar o equilíbrio de forças e ampliar a disputa política em torno do controle da Corte, considerada estratégica para a fiscalização das contas públicas.

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