A Saks Global Enterprises entrou em Chapter 11, o equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos. A empresa acumula US$ 225 milhões em dívidas com grandes grifes de luxo.
Os atrasos nos pagamentos afetaram diretamente o abastecimento das lojas. Como consequência, muitas marcas reduziram ou cancelaram envios. Isso deixou as vitrines mais vazias e afastou clientes.
Chanel lidera a lista de credores
Segundo documentos do tribunal do Texas, a Chanel é a principal credora da Saks. A grife tem US$ 136 milhões a receber.
Na sequência aparece a Kering, dona da Gucci e da Balenciaga, com cerca de US$ 60 milhões.
Outros grupos também estão na lista, como:
- Capri Holdings (Michael Kors e Jimmy Choo)
- LVMH (Louis Vuitton e Dior)
- Richemont (Cartier e Van Cleef & Arpels)
- Mayhoola, acionista da Valentino
Essas marcas não comentaram oficialmente o caso.
Dívidas afetaram o fornecimento de produtos
Ao longo de 2025, muitas grifes ficaram receosas de não receber. Por isso, exigiram condições mais rígidas ou suspenderam entregas.
Com menos produtos nas araras, lojas como Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman perderam atratividade. Assim, o fluxo de clientes caiu, o que agravou ainda mais a crise.
Compra do Neiman acelerou o problema
A situação se intensificou após a compra do Neiman Marcus Group, em dezembro de 2024. A operação foi financiada por cerca de US$ 2 bilhões em títulos.
Logo depois, a Saks passou a atrasar pagamentos. Com isso, o risco para fornecedores aumentou. Alguns chegaram a entrar com ações judiciais para cobrar valores devidos.
Nova gestão tenta salvar a empresa
Agora, o comando está com Geoffroy van Raemdonck, ex-executivo do Neiman Marcus. Ele trouxe antigos colegas para cargos estratégicos.
A empresa informou que pretende manter as lojas abertas durante o processo. Também declarou que fará pagamentos futuros aos fornecedores.
Marcas observam com cautela
Algumas grifes ainda demonstram esperança. A Brunello Cucinelli, por exemplo, tem US$ 21,3 milhões a receber. Mesmo assim, a marca disse confiar na nova gestão.
No entanto, especialistas alertam que os credores sem garantia costumam receber apenas parte do valor em processos de Chapter 11.
O que vem pela frente
O futuro da Saks depende de um fator principal: voltar a dar lucro.
Se isso acontecer, as marcas poderão recuperar parte do dinheiro. Caso contrário, a crise pode afetar ainda mais o varejo de luxo.
Por enquanto, o setor acompanha de perto um dos momentos mais delicados da história da Saks.
Fonte: Bloomberg Línea
