Juros altos explicam avanço da dívida pública, não o déficit, afirma Haddad

Ministro da Fazenda diz que há espaço para reduzir a Selic e defende ampliar poderes do Banco Central

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que o principal fator por trás do crescimento da dívida pública brasileira é o patamar elevado dos juros reais, e não o nível de gastos do governo. A declaração foi feita durante entrevista ao programa UOL News.

Segundo Haddad, o governo conseguiu reduzir significativamente o déficit primário nos últimos dois anos. “Nós reduzimos o déficit em cerca de 70%. O problema da dívida tem a ver com o juro real, não com o déficit, que está caindo”, afirmou. O ministro destacou ainda que a meta fiscal para este ano é mais rigorosa do que nos anos anteriores, o que, em sua avaliação, reforça o compromisso com o equilíbrio das contas públicas.

De acordo com Haddad, mesmo considerando exceções fiscais — como o ressarcimento de descontos indevidos a beneficiários do INSS — o déficit do ano passado ficou em 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB). Para efeito de comparação, ele citou que o déficit projetado para 2023, ainda sob o governo anterior, superava 1,6% do PIB.

Defesa da redução dos juros

Na entrevista, o ministro voltou a defender que há espaço para a redução da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano. “Quando me perguntam, eu digo que há espaço para cortar os juros porque eu acho que tem”, afirmou.

Apesar disso, Haddad elogiou a atuação do presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo. Segundo ele, Galípolo assumiu desafios herdados de gestões anteriores, como o caso envolvendo o Banco Master, e tem conduzido o processo com responsabilidade.

Fiscalização dos fundos de investimento

Ao comentar o escândalo do Banco Master, Haddad voltou a defender que o Banco Central passe a fiscalizar os fundos de investimento, atribuição que hoje cabe à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O ministro afirmou que apresentou uma proposta ao Executivo para ampliar o perímetro regulatório da autoridade monetária.

“Há muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e está na CVM, equivocadamente”, disse. Para ele, a forte intersecção entre fundos e o sistema financeiro impacta inclusive a contabilidade pública, envolvendo operações como contas remuneradas e compromissadas.

Resposta a críticas e cenário político

Questionado sobre o apelido “Taxad”, usado por críticos nas redes sociais em referência ao aumento de tributos, Haddad afirmou não se incomodar. Segundo ele, sente-se satisfeito por ter ampliado a tributação sobre os mais ricos. “Taxamos offshore, fundos familiares fechados, paraísos fiscais e dividendos. Banco, bets e bilionários passaram a pagar imposto”, afirmou.

O ministro também avaliou que a economia não deve ser o fator decisivo nas próximas eleições presidenciais, no Brasil ou no exterior. De acordo com ele, pesquisas apontam que temas como segurança pública e combate à corrupção têm maior peso entre as preocupações da população.

Por fim, Haddad disse que não pretende disputar cargos eletivos nas próximas eleições e que a questão vem sendo discutida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem decisão tomada até o momento.

 

Fonte: Agencia Brasil