Revista Poder

Mercado reduz projeção de inflação para 2026 e mantém cenário de estabilidade para juros e crescimento

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O mercado financeiro voltou a revisar para baixo as expectativas de inflação no Brasil em 2026. De acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou para 4,02%. O número é levemente inferior aos 4,05% estimados na semana anterior e aos 4,06% projetados há quatro semanas.

Inflação segue dentro da meta oficial

O IPCA é o indicador que mede a inflação oficial do país. Nesse sentido, a projeção atual permanece dentro do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional. Para 2025 e 2026, a meta central é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um teto de 4,5%.

Além disso, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a inflação de 2025 fechou em 4,26%, permanecendo dentro da meta estipulada pelo governo.

Projeções para os próximos anos permanecem estáveis

Para os anos seguintes, o cenário inflacionário mostra estabilidade. As estimativas para 2027 seguem em 3,80%, enquanto as projeções para 2028 permanecem em 3,50%. Esses números não sofrem alterações há 11 semanas consecutivas, o que reforça a percepção de controle gradual da inflação no médio prazo.

Juros altos no curto prazo e ajustes no longo prazo

No campo dos juros, o mercado financeiro mantém as projeções estáveis para 2026. A taxa Selic deve encerrar o ano em 12,25%, estimativa repetida há quatro semanas. Atualmente, a taxa básica está em 15%, o maior patamar desde julho de 2006.

Por outro lado, para 2027, a expectativa é de queda da Selic para 10,50%, projeção mantida há várias semanas. Já para 2028, o mercado passou a revisar os números para cima. A estimativa saiu de 9,88% para 10%, indicando uma cautela maior no horizonte mais longo.

Impacto da Selic na economia

Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) eleva a Selic, o objetivo principal é conter a demanda aquecida. Dessa forma, o crédito fica mais caro e a poupança é estimulada, o que ajuda a controlar a inflação. No entanto, juros elevados também tendem a dificultar a expansão da economia.

Por outro lado, quando a Selic é reduzida, o crédito se torna mais acessível. Assim, o consumo e a produção ganham fôlego, ainda que o controle inflacionário fique mais desafiador.

Crescimento econômico moderado

As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) também permanecem estáveis. O mercado financeiro estima crescimento de 1,80% em 2026, percentual que se repete para 2027. Para 2028, a expectativa é de uma expansão um pouco maior, chegando a 2%.

Câmbio mantém estabilidade

No câmbio, o cenário segue praticamente inalterado. A expectativa é de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50, projeção mantida há 14 semanas. O mesmo valor é esperado para 2027. Para 2028, estima-se leve alta, com a moeda norte-americana chegando a R$ 5,52.

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