UE avalia retaliação de € 93 bilhões aos EUA após ameaça de Trump sobre a Groenlândia

Bloco discute tarifas, suspensão de acordo comercial e uso de instrumento anticorrupção diante de pressão americana

Foto Reprodução Internet

A União Europeia avalia impor tarifas retaliatórias sobre até € 93 bilhões (cerca de US$ 108 bilhões) em produtos dos Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump leve adiante a ameaça de aplicar uma taxa de 10% sobre exportações europeias a partir de 1º de fevereiro. A medida seria uma resposta à pressão americana relacionada ao plano de tomar posse da Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca.

Representantes dos 27 países do bloco se reuniram no domingo (18) para discutir possíveis contramedidas. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg News, além das tarifas, a UE considera ações adicionais, embora ainda priorize uma solução diplomática. Uma reunião de emergência dos líderes europeus deve ocorrer ainda nesta semana, em Bruxelas.

Suspensão de acordo comercial entra no radar

A reação mais imediata da União Europeia foi anunciar a intenção de suspender a aprovação do acordo comercial firmado com os EUA em julho, que ainda depende de ratificação do Parlamento Europeu. O Partido Popular Europeu, maior bancada do Parlamento, informou que deve se unir a outras legendas para bloquear o acordo.

O tratado já vinha sendo criticado por parlamentares europeus por ser considerado desequilibrado a favor de Washington, prevendo a retirada de quase todas as tarifas da UE sobre produtos americanos, enquanto mantinha taxas de 15% sobre exportações europeias e de 50% sobre aço e alumínio.

Reações políticas e apoio à Dinamarca

Em publicação nas redes sociais, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o bloco está unido em apoio à Dinamarca e à Groenlândia e pronto para “se defender contra qualquer forma de coerção”.

No sábado (17), Trump anunciou que elevaria as tarifas para 25% a partir de junho, caso não haja acordo para a chamada “compra da Groenlândia”. A ameaça ocorreu após países europeus indicarem a realização de exercícios simbólicos de planejamento militar da OTAN no território.

Líderes europeus reagiram duramente. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou as declarações como “completamente erradas”, enquanto o premiê sueco, Ulf Kristersson, afirmou que seu país não será “chantageado”. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, considerou a ameaça “inaceitável” e defendeu o uso do instrumento anticorrupção, o mecanismo de retaliação comercial mais forte da UE.

Produtos e impactos econômicos

A União Europeia já aprovou, anteriormente, tarifas retaliatórias sobre € 93 bilhões em produtos americanos, mas suspendeu sua aplicação. Caso Trump avance com as tarifas, o bloco poderá reativar essas contramedidas, que teriam como alvo produtos industriais dos EUA, como aeronaves da Boeing, automóveis fabricados no país e uísque bourbon.

Economistas alertam que a escalada do conflito comercial pode afetar os mercados financeiros europeus, que vinham registrando desempenho superior ao dos EUA. Segundo estimativas da Bloomberg Economics, se a tarifa total de 25% for implementada, as exportações europeias para os Estados Unidos podem cair até 50%, com Alemanha, Suécia e Dinamarca entre os países mais expostos.

Apesar disso, a UE mantém, por ora, a disposição de negociar. No entanto, líderes europeus indicam que o bloco está preparado para reagir de forma coordenada caso a ameaça americana se concretize.

 

Fonte: Bloomberg Línea