O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta terça-feira para o Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, sua primeira agenda internacional do ano. Apesar do caráter externo da viagem, o deslocamento também cria espaço para conversas políticas voltadas ao cenário eleitoral brasileiro, com destaque para o futuro político da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.
Tebet integra a comitiva presidencial e estará no mesmo voo de Lula. Nos bastidores, aliados avaliam que o presidente pode aproveitar o momento para discutir uma eventual candidatura da ministra em São Paulo. Entre as possibilidades consideradas estão a disputa pelo governo do estado ou uma vaga no Senado. A hipótese de mudança partidária também está em análise, sendo o PSB apontado como o caminho mais provável.
Pessoas próximas à ministra relatam receio de resistências internas dentro do campo governista, especialmente no PT. Ainda assim, a avaliação é de que um diálogo direto com o presidente pode assegurar o respaldo político necessário para viabilizar uma candidatura competitiva.
Além das articulações eleitorais, a agenda no Panamá tem importância institucional para Simone Tebet à frente do Ministério do Planejamento. A ministra deve aproveitar o fórum para reforçar o compromisso do governo brasileiro com a ampliação do diálogo econômico e comercial com países da América Latina e do Caribe.
O retorno do presidente e da ministra ao Brasil está previsto apenas para a próxima semana.
Paralelamente, o governo trabalha uma estratégia mais ampla para as eleições, com foco na recomposição das forças no Congresso Nacional. A avaliação entre aliados é de que o Legislativo será decisivo para a governabilidade nos próximos anos, o que levou o presidente a considerar a liberação de cerca de 20 ministros para disputar cargos eletivos.
A movimentação busca conter o avanço da oposição, que, segundo interlocutores do Planalto, possui maior presença nas redes sociais e nomes com forte apelo popular. A aposta do governo é utilizar figuras já conhecidas para garantir maior representatividade no Parlamento.
