Por Agenor Duque
A crise envolvendo o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, deixou de ser um episódio financeiro e passou a atingir diretamente o núcleo do poder em Brasília. Investigações, contratos milionários e relações pessoais entre banqueiros, ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes do governo Lula formam um enredo que tem gerado desgaste institucional e pressão política.
O caso ganhou força com a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O ex-ministro deixou a pasta em janeiro, em meio a bastidores que apontam a existência de um contrato de consultoria entre ele e o Banco Master, no valor de R$ 6,5 milhões. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva negaram conhecimento prévio do acordo, mas internamente o episódio passou a ser tratado como fator de constrangimento político.
No Supremo Tribunal Federal, o processo relativo ao Banco Master está sob relatoria do ministro Dias Toffoli, indicado ao cargo pelo próprio Lula em 2009. Decisões como sigilo amplo, centralização de provas no STF e restrições à atuação da Polícia Federal passaram a ser questionadas por juristas e parlamentares.
Outro nome central é o do ministro Alexandre de Moraes. Relatos apurados em Brasília indicam que Moraes frequentou a mansão de Daniel Vorcaro na capital federal em mais de uma ocasião. Foi na residência do banqueiro que o ministro teria conhecido Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília, o BRB. O encontro ocorreu no primeiro semestre de 2025, em um fim de semana, no momento em que o Banco Master buscava no BRB uma alternativa para evitar a liquidação determinada pelo Banco Central.
A operação entre Master e BRB chegou a ser anunciada, mas foi mal recebida pelo mercado e posteriormente barrada pelo Banco Central, sob suspeitas de ingerência política. Depoimentos colhidos pela Polícia Federal indicam que a negociação foi tratada em alto nível.
Veio à tona também a existência de um contrato firmado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, no valor de R$ 129 milhões. A cifra alterou a percepção pública sobre a proximidade entre o banqueiro e o magistrado. Nenhum dos dois comenta o assunto.
Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro foi questionado sobre quem frequentava sua casa em Brasília e citou apenas o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
Segundo a agência internacional Reuters, o Banco Master foi liquidado após indícios de irregularidades graves, com investigações em andamento sobre possíveis crimes financeiros.
O caso Master escancara uma realidade incômoda. Quando contratos milionários, relações pessoais e decisões institucionais se cruzam no topo do poder, a transparência deixa de ser opção e passa a ser obrigação.