Habitar a arte: Darfiny Melo fala sobre experiência, sensibilidade e o novo ciclo da UP Time Art Gallery

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Em um tempo marcado pelo excesso de estímulos, pela pressa e pela perda de sensibilidade, falar de arte como experiência se torna quase um gesto de resistência. É a partir dessa inquietação que a UP Time Art Gallery inicia um novo ciclo, deixando para trás o formato exclusivamente itinerante e propondo um encontro mais profundo entre arte, espaço e vida cotidiana.

À frente do marketing e das operações da galeria há seis anos, Darfiny Melo acompanha de perto esse amadurecimento. Sua visão une formação artística, pensamento estratégico e uma compreensão sensível do papel da arte no mundo contemporâneo. Para ela, mais do que expor obras, é preciso criar contextos, narrativas e experiências capazes de devolver ao público a capacidade de sentir, contemplar e habitar o belo com presença.

O projeto “Habitar Arte” materializa esse novo momento ao transformar a galeria em uma casa-viva, onde pintura, design e arquitetura dialogam de forma orgânica, convidando a arte a fazer parte do cotidiano. A proposta marca uma virada conceitual que reflete uma compreensão mais ampla sobre luxo, experiência e viver bem — temas que atravessam tanto o posicionamento da UP Time quanto a trajetória de Darfiny.

Nesta conversa, ela compartilha reflexões sobre branding, curadoria, marketing cultural e os próximos passos da galeria, além de revelar como a arte pode — e deve — ocupar um papel essencial na construção de um modo de viver mais consciente, sensível e verdadeiro.

Você atua há seis anos à frente do marketing e das operações da UP Time Art Gallery. Como definiria sua trajetória até aqui?

Vejo minha trajetória como um processo contínuo de refinamento. Ao longo desses seis anos, meu trabalho foi menos sobre crescer rapidamente e mais sobre construir significado, coerência e solidez. A UP Time nasceu com uma proposta dinâmica, itinerante, e foi amadurecendo junto conosco. Hoje é uma galeria que entende a arte não apenas como objeto, mas como linguagem, experiência e valor cultural. Cada etapa foi essencial para chegarmos ao posicionamento atual, mais autoral e consciente.

Como sua formação artística influencia seu olhar para branding e marketing?

A arte me ensinou a olhar antes de comunicar. No branding, isso muda tudo. Não parto de fórmulas ou tendências, mas de conceito, intenção e estética. A formação artística me faz entender que uma marca, assim como uma obra, precisa ter profundidade, coerência e tempo de maturação. Marketing, para mim, não é barulho, é narrativa, silêncio estratégico e construção de valor simbólico.

A UP Time passou por uma transformação importante ao deixar de ser apenas uma galeria itinerante. O que motivou essa virada?

A necessidade de profundidade. A galeria itinerante cumpriu um papel importante, mas em determinado momento sentimos que a arte pedia permanência, diálogo com o espaço e com o modo de viver das pessoas. A virada aconteceu quando entendemos que não queríamos apenas circular obras, mas criar contextos onde a arte pudesse ser vivida, percebida e integrada ao cotidiano.

Como esse novo posicionamento se traduz na prática?

Na curadoria mais criteriosa, na escolha dos projetos, nas parcerias e, principalmente, na forma como apresentamos a arte. Hoje, cada ação da UP Time é pensada como uma experiência estética completa, do espaço à comunicação, da narrativa ao público que queremos atingir. Tudo precisa fazer sentido, sem excessos, sem vulgarização.

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O projeto “Habitar Arte” é um exemplo desse novo ciclo. Qual é o conceito por trás dele?

“Habitar Arte” nasce da ideia de que a arte não deve ser um elemento distante ou decorativo, mas algo que participa da vida. O projeto surgiu da necessidade de servir o mundo além das paredes e voltar o olhar do público para a importância do lar através da união da arte, design e arquitetura, criando uma relação orgânica entre arte, ambiente e indivíduo. É sobre viver com arte, e não apenas contemplá-la.

Qual é a relação entre arte, luxo e experiência na visão da UP Time?

Luxo, para nós, não é excesso, é curadoria, tempo e intenção. A arte se torna luxo quando carrega significado e quando é vivenciada de forma sensível. A experiência é o elo entre esses mundos: é ela que transforma uma obra em memória, conexão e valor real. O verdadeiro luxo está naquilo que não é massificado.

Como você enxerga o papel do marketing no mercado de arte hoje?

O marketing no mercado de arte precisa ser mais intelectual e menos performático. Não se trata de vender a qualquer custo, mas de educar o olhar, construir repertório e criar desejo de forma sutil. O erro está em tratar a arte como produto comum. O acerto está em entender que ela exige contexto, silêncio e narrativa bem construída.

Quais são os próximos passos da UP Time Art Gallery?

Seguiremos aprofundando projetos autorais, expandindo parcerias com arquitetura, design e marcas que compartilham da mesma visão de valor. O foco não é quantidade, mas impacto cultural e estético. Queremos que a UP Time seja reconhecida como uma galeria que cria pensamento, não apenas exposições.

Para finalizar, o que significa “viver bem” na sua visão?

Viver bem é viver com consciência estética e intelectual. É cercar-se de beleza, mas também de significado. É escolher menos, porém melhor. É ter tempo para olhar, sentir e compreender. No fundo, viver bem é transformar o cotidiano em uma experiência com valor, e a arte é parte essencial disso.