O governo dos Estados Unidos anunciou um acordo de financiamento de US$ 565 milhões com a mineradora brasileira Serra Verde, especializada em terras raras. O contrato prevê não apenas o aporte de recursos, mas também o direito de o governo americano adquirir uma parcela minoritária da empresa no futuro.
A operação foi divulgada pela própria Serra Verde e faz parte de uma iniciativa mais ampla de Washington para fortalecer cadeias de fornecimento de minerais críticos. Com esse movimento, os Estados Unidos tentam reduzir sua dependência da China, que domina grande parte do mercado global desses insumos essenciais para tecnologia avançada.
Os recursos virão da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC). Parte do dinheiro será usada para refinanciar linhas de crédito existentes em condições mais vantajosas, e outra parte será destinada à ampliação da produção da mina da Serra Verde em Minasçu, no interior de Goiás. A expectativa da empresa é chegar a uma capacidade de 6.500 toneladas de óxidos de terras raras por ano até 2027.
O minério extraído naquela região possui alta concentração de elementos como disprósio e térbio, entre outros. Esses materiais são fundamentais em setores como energia renovável, defesa, medicina, automação e eletrônicos de ponta, o que explica o interesse crescente de grandes economias em garantir acesso seguro a essas reservas.
A Serra Verde é controlada por fundos de investimento internacionais com experiência no setor de mineração. A chegada desse financiamento externo sinaliza confiança no potencial do projeto em território brasileiro e na importância estratégica das terras raras no cenário global.
Além do impacto direto para a mineradora, o acordo chama a atenção em um momento em que países ao redor do mundo buscam diversificar suas fontes de minerais críticos. O Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras do planeta depois da China, tem despertado interesse de várias nações e grupos econômicos, ainda que o desenvolvimento desses recursos no país esteja em fase inicial.
O movimento americano inclui também iniciativas maiores, como pacotes estratégicos de financiamento a projetos de minerais críticos e negociações com diversos países para criar um bloco mais resiliente frente às oscilações do mercado internacional.
Autoridades brasileiras afirmam que estão abertas ao diálogo com parceiros internacionais para atrair investimentos e fortalecer a presença do Brasil nas cadeias globais de valor desses insumos. A expansão da Serra Verde é um dos exemplos de como essa cooperação pode ganhar forma diante da crescente demanda por tecnologias que dependem diretamente desses elementos.