O endividamento das famílias brasileiras atingiu 79,5% em janeiro e voltou ao maior patamar já registrado na série histórica, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada pela Confederação Nacional do Comércio. O índice iguala o pico observado no fim do ano passado e indica que o crédito segue fortemente presente no cotidiano das famílias logo na largada de 2026.
O indicador considera compromissos financeiros como cartão de crédito, empréstimos pessoais, cheque especial, financiamentos e carnês. Na comparação com janeiro do ano anterior, o avanço é significativo e revela um ambiente em que o uso do crédito se mantém elevado mesmo diante de custos financeiros altos.
Apesar do aumento no número de famílias endividadas, a proporção de quem está com contas em atraso recuou levemente. O movimento sugere que, embora mais pessoas estejam comprometidas com dívidas, parte delas ainda consegue manter os pagamentos em dia. Especialistas veem o dado como um sinal misto: o crédito continua sustentando o consumo, mas com margem cada vez menor no orçamento.
A pesquisa também mostra mudança na percepção dos consumidores sobre a própria situação financeira. Cresceu o grupo que se declara muito endividado, ao mesmo tempo em que diminuiu a fatia de quem afirma não ter dívidas desse tipo. Para a entidade, essa avaliação é subjetiva, mas ajuda a captar o sentimento de pressão financeira que acompanha o aumento do comprometimento da renda.
Outro ponto de atenção é o tempo de permanência das dívidas em atraso, que voltou a subir. Isso indica que parte das famílias encontra mais dificuldade para regularizar pendências antigas. Paralelamente, aumentou o percentual de pessoas que dizem não ter condições de quitar os débitos, principalmente nas faixas de renda mais baixas.
O cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento, concentrando a maior parte das pendências. Em muitos lares, a parcela da renda destinada ao pagamento de dívidas já consome fatia relevante do orçamento, reduzindo o espaço para despesas essenciais.
Para a CNC, o cenário reforça a influência do custo do crédito sobre o comportamento das famílias. Juros elevados encarecem financiamentos e ampliam o peso das parcelas mensais, o que tende a prolongar o ciclo de endividamento. A entidade avalia que o equilíbrio macroeconômico é um fator central para aliviar essa pressão e melhorar as condições de pagamento no médio prazo.
O quadro geral revela um consumidor que continua recorrendo ao crédito para sustentar gastos, mas que enfrenta limites cada vez mais claros. A combinação entre alto endividamento, renda comprometida e percepção de aperto financeiro coloca 2026 sob o desafio de conciliar consumo, planejamento e sustentabilidade das contas domésticas.