Transferência de carteira faz clientes do Will Bank aparecerem como devedores no BRB

Contratos quitados surgem como pendentes após repasse de carteira de crédito (Foto: Reprodução)

Consumidores que tiveram contratos com o Will Bank ou com o Banco Master afirmam ter sido surpreendidos por registros de dívidas em seus nomes vinculadas ao Banco de Brasília, o BRB, mesmo após pagamentos já realizados. O problema surgiu depois da transferência de uma carteira de crédito entre as instituições e tem provocado incerteza, queda de score e dificuldade de acesso a serviços financeiros.

Relatos de clientes indicam que contratos quitados ou em dia passaram a constar como pendentes no sistema que reúne informações de crédito do Banco Central. Em muitos casos, os consumidores dizem que só descobriram a suposta inadimplência ao tentar realizar novas operações financeiras ou ao consultar seus dados cadastrais.

O BRB reconhece que a transição da carteira ainda depende da atualização de informações sobre pagamentos feitos anteriormente. Segundo o banco, a ausência desse fluxo de dados impede a baixa automática de alguns contratos, o que faz com que operações já liquidadas continuem aparecendo como ativas.

Para especialistas em direito do consumidor, situações como essa não são incomuns em processos de liquidação bancária ou cessão de crédito. Ainda assim, a responsabilidade de manter os registros corretos recai sobre a instituição que assumiu a carteira. Isso significa que o consumidor não pode ser penalizado por falhas administrativas entre bancos.

Além do impacto burocrático, a manutenção de dívidas indevidas pode gerar consequências práticas. Consumidores relatam redução de score, bloqueio de crédito e receio de novos juros. Juristas destacam que cobranças equivocadas e registros incorretos podem abrir espaço para questionamentos formais e até pedidos de indenização, dependendo do caso.

Diante desse cenário, a principal recomendação é agir de forma documentada. O consumidor deve registrar protocolos junto ao banco responsável pela cobrança, exigir a correção das informações e guardar todos os comprovantes de pagamento. Também é indicado formalizar reclamações nos canais oficiais de defesa do consumidor e no Banco Central.

Especialistas alertam que dívidas consideradas inexistentes não devem ser pagas apenas por medo de prejuízo ao histórico financeiro. Já contratos que ainda estejam vigentes devem continuar sendo quitados pelos meios habituais, sempre com registro dos pagamentos.

Enquanto as instituições trabalham para normalizar os dados, consumidores seguem pressionando por clareza e atualização dos sistemas. O episódio reforça a importância de acompanhar regularmente os registros financeiros e agir rapidamente diante de qualquer inconsistência.