O Carnaval de 2026 promete um impacto econômico superior a R$ 12 bilhões nas cidades brasileiras com tradição na festa. O aumento no fluxo de turistas, o consumo de serviços e a criação de empregos temporários são os principais fatores que devem impulsionar a movimentação financeira. Para viabilizar os eventos, municípios e iniciativa privada investem milhões em infraestrutura, segurança e atrações culturais.
Salvador, com seu tradicional Carnaval de trio elétrico, deve investir R$ 60 milhões na contratação de artistas e produção do evento. Em 2025, a festa movimentou R$ 1,8 bilhão na economia local, e a prefeitura espera superar esse valor neste ano. Já no Recife, a expectativa é que a festa gere R$ 2,7 bilhões e receba mais de 300 mil passageiros no aeroporto, além de criar cerca de 60 mil empregos temporários. Olinda mantém projeção semelhante à do ano passado, com movimentação estimada em R$ 1,5 bilhão e investimento de até R$ 20 milhões.
Em Belo Horizonte, os investimentos saltaram de R$ 20 milhões em 2025 para R$ 28 milhões em 2026, com impacto econômico esperado de R$ 1,2 bilhão e cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. A cidade estima que 6,2 milhões de foliões participem dos blocos e eventos, contabilizando múltiplas presenças de quem frequenta mais de uma atração.
No Rio de Janeiro, a Riotur projeta movimentação acima de R$ 5,7 bilhões e público de 8 milhões de pessoas, entre moradores e turistas. O governo federal destinou R$ 12 milhões para os desfiles do Grupo Especial, e mais R$ 40 milhões foram captados pela iniciativa privada. Em São Paulo, a festa de rua deve atrair 16 milhões de foliões em mais de 650 blocos, com aporte de R$ 29,2 milhões de patrocínios privados e impacto econômico similar ao registrado em 2025, quando foram gerados cerca de 50 mil empregos.
Para especialistas, o Carnaval vai além da celebração cultural. A economista Juliana Inhasz, do Insper, destaca que o evento aquece setores como hotelaria, transporte, alimentação e comércio, ao mesmo tempo em que aumenta a renda e a empregabilidade temporária. O economista Roberto Kanter, da FGV, reforça que a consistência das projeções depende da convergência de múltiplos indicadores e que a festa contribui para reduzir a sazonalidade econômica e fortalecer o Brasil como destino turístico global.
A diversidade de recursos, com participação do setor público e privado, é outro ponto fundamental para a realização das festas, segundo Inhasz. Para ela, a combinação garante qualidade, segurança e infraestrutura, aspectos que seriam difíceis de manter apenas com financiamento governamental ou privado.
O Carnaval se consolida, assim, como um motor econômico essencial, capaz de gerar circulação de pessoas, empregos e receitas em curto período, ao mesmo tempo em que reforça a presença internacional da cultura brasileira.