Revista Poder

Correios estudam reduzir atendimento em municípios para conter déficit

Venda de imóveis e plano de reestruturação fazem parte das medidas para equilibrar a empresa (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O governo federal estuda mudanças na lei postal para garantir a sustentabilidade financeira dos Correios no longo prazo. A proposta em discussão prevê a revisão das regras de universalização de serviços, que obrigam a empresa a atender todos os municípios do país, independentemente do custo. A intenção é encaminhar a medida ao Congresso ainda neste ano.

Apesar do empréstimo de R$ 12 bilhões realizado no final do ano passado e do plano de reestruturação dos gastos, técnicos do governo avaliam que manter o modelo atual é insustentável. Estima-se que a universalização custe cerca de R$ 6 bilhões por ano, dos quais R$ 1,9 bilhão já são cobertos por benefícios fiscais. O restante, cerca de R$ 4 bilhões, ainda depende de financiamento. Uma mudança na lei poderia reduzir esse valor e facilitar o equilíbrio financeiro da estatal.

Entre as alternativas estudadas, destaca-se a criação de um fundo semelhante ao Fust, que cobraria contribuições de empresas privadas do setor para custear a universalização. Outra possibilidade é o ressarcimento direto pelo Orçamento federal, com ajustes caso as metas sejam cumpridas parcialmente. Ambos os modelos dependeriam da aprovação do Congresso.

A crise financeira da estatal se agrava com déficits consecutivos. Em 2025, o déficit primário chegou a R$ 1,047 bilhão, enquanto o prejuízo contábil acumulado até setembro foi de R$ 6,056 bilhões. Os investimentos da companhia no ano somaram apenas R$ 269,1 milhões. Para reforçar a liquidez, os Correios iniciaram a venda de imóveis ociosos, com expectativa de arrecadar até R$ 1,5 bilhão em 2026.

O histórico de perdas se estende aos anos anteriores. Em 2024, o prejuízo foi de R$ 2,6 bilhões, ante R$ 633 milhões em 2023. Mudanças regulatórias, como a cobrança do Imposto de Importação em compras internacionais, impactaram as receitas, assim como a interrupção de investimentos durante o período em que a empresa esteve no Programa Nacional de Desestatização.

Segundo especialistas, não há soluções rápidas para o problema. A sustentabilidade dos Correios exigirá planejamento de longo prazo, reestruturação e, possivelmente, ajustes na cobertura territorial da estatal.

Sair da versão mobile