Revista Poder

CBO projeta crescimento do déficit fiscal americano em 2026

Avanço da inteligência artificial e tarifas comerciais terão efeito limitado sobre o equilíbrio fiscal (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O déficit orçamentário dos Estados Unidos deve registrar aumento no ano fiscal de 2026, alcançando cerca de US$ 1,853 trilhão, segundo estimativa divulgada nesta quarta-feira pelo Escritório de Orçamento do Congresso (CBO). O valor representa um crescimento em relação aos US$ 1,775 trilhão registrados em 2025 e sinaliza desafios persistentes para a política fiscal americana.

De acordo com o CBO, o déficit corresponderá a aproximadamente 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB), nível similar ao do ano anterior. Entretanto, as projeções apontam que a relação déficit/PIB deve subir para 6,1% em média na próxima década, chegando a 6,7% até 2036, bem acima da meta de cerca de 3% estabelecida pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.

O relatório ressalta que o crescimento econômico projetado pelo CBO é inferior às estimativas da administração Trump, que prevê aumento do PIB real de 2,2% em 2026 e uma média de 1,8% para o restante da década. A equipe econômica do governo, por sua vez, acredita que a expansão no primeiro trimestre de 2026 pode ultrapassar 6%, impulsionada pelo aumento de investimentos em fábricas e centros de dados de inteligência artificial.

Entre os fatores que devem pressionar o déficit estão os cortes de impostos de 2017, ampliados pelo projeto de lei conhecido como “One Big Beautiful Bill”, e a redução de gastos com programas sociais como o Medicaid. Estima-se que essas medidas adicionem US$ 4,7 trilhões ao déficit ao longo de dez anos. Mudanças na política de imigração também contribuiriam com US$ 500 bilhões adicionais.

Por outro lado, tarifas adicionais e medidas para reduzir pagamentos da dívida devem gerar receita extra de cerca de US$ 3 trilhões, mitigando parte do aumento das contas públicas. O relatório também destaca o impacto esperado do avanço da inteligência artificial sobre a produtividade, que pode acrescentar até 0,1 ponto percentual ao crescimento anual do PIB.

O CBO ainda apontou que os juros dos títulos do Tesouro de dez anos devem se manter estáveis ou ligeiramente mais altos, refletindo as condições de mercado e a política monetária. No geral, o documento reforça a necessidade de equilíbrio entre estímulo à economia e controle do déficit para garantir a sustentabilidade fiscal americana nas próximas décadas.

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