Os Estados Unidos colocaram o Brasil no centro de sua estratégia para garantir o fornecimento de minerais críticos, considerados essenciais para a indústria de tecnologia, energia e defesa. A sinalização partiu do secretário assistente de Estado para Assuntos Econômicos, Energéticos e Empresariais, Caleb Orr, que classificou o país como um parceiro altamente promissor nesse segmento.
Segundo Orr, o governo americano está avaliando maneiras concretas de apoiar a expansão da capacidade produtiva brasileira. A cooperação pode envolver tanto investimentos diretos quanto mecanismos de financiamento voltados ao desenvolvimento de projetos de extração e processamento.
O interesse ocorre em um momento de reorganização das cadeias globais de suprimento. Após restrições impostas pela China às exportações de terras raras no ano passado, Washington intensificou esforços para reduzir sua dependência de um único fornecedor. Esses minerais são indispensáveis para a fabricação de baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e componentes militares.
O Brasil surge como alternativa relevante por reunir reservas expressivas e um setor mineral estruturado. O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, além de importantes depósitos de cobre, níquel e nióbio. Apesar do potencial, ainda há poucos projetos de terras raras em estágio avançado de produção.
De acordo com o representante americano, o fortalecimento dessa parceria pode incluir o processamento dos minerais tanto em território brasileiro quanto nos Estados Unidos, a depender do modelo adotado. Ele também mencionou a possibilidade de ampliação do apoio por meio da Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional dos EUA, que já participa do financiamento de iniciativas no Brasil, como os projetos das empresas Serra Verde e Aclara.
Na semana passada, autoridades americanas reuniram representantes de dezenas de países em Washington para apresentar uma proposta de articulação internacional voltada à formação de um bloco de cooperação em minerais críticos. O Brasil participou das conversas e ainda analisa se integrará formalmente a iniciativa.
O movimento faz parte de um pacote mais amplo anunciado pelo governo dos EUA para fortalecer sua segurança mineral. O plano prevê bilhões de dólares em recursos públicos e privados destinados a ampliar investimentos, incentivar a diversificação de fornecedores e estimular a agregação de valor nas cadeias produtivas.
O protagonismo brasileiro nesse debate reflete não apenas o tamanho de suas reservas, mas também a capacidade técnica e a relevância de sua indústria extrativa. Nos últimos meses, empresas e autoridades do setor têm recebido missões internacionais interessadas em parcerias e novos projetos.
Caso as negociações avancem, a cooperação pode representar uma oportunidade para ampliar investimentos, desenvolver tecnologia e posicionar o Brasil como elo estratégico em um mercado cada vez mais disputado. Ao mesmo tempo, a decisão envolve avaliar impactos econômicos, ambientais e geopolíticos em um cenário global de crescente competição por recursos minerais.