Ouro e prata ampliam perdas com revisão das expectativas de juros

Metais preciosos caem com fortalecimento de dados econômicos dos EUA (Foto: Reproduçao/FreePik)

Os metais preciosos encerraram a sessão desta quinta-feira em forte baixa, refletindo a reavaliação das expectativas sobre a política monetária nos Estados Unidos. O ouro perdeu quase 3% e voltou a ser negociado abaixo de US$ 5 mil por onça-troy, enquanto a prata registrou uma desvalorização ainda mais intensa, próxima de 10%.

Na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York, o contrato do ouro para abril fechou cotado a US$ 4.948,40 por onça-troy, com recuo de 2,94%. A prata para março caiu 9,81%, encerrando o dia a US$ 75,68 por onça-troy.

O movimento foi influenciado principalmente por indicadores recentes do mercado de trabalho norte-americano. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego somaram 227 mil, resultado próximo das projeções. O dado foi divulgado após a publicação de um relatório de emprego mais forte do que o esperado, o que reduziu a percepção de que o Federal Reserve possa promover cortes de juros no curto prazo.

Como o ouro não oferece rendimento, o metal tende a perder atratividade em cenários de juros mais elevados ou estáveis. Com a diminuição das apostas em flexibilização monetária imediata, investidores migraram para ativos atrelados a retorno financeiro.

No cenário internacional, declarações envolvendo negociações sobre o programa nuclear do Irã também estiveram no radar. Autoridades da Turquia indicaram sinais de flexibilidade entre Estados Unidos e Irã, mas alertaram que a ampliação das tratativas para incluir mísseis balísticos pode elevar tensões. Paralelamente, o primeiro-ministro de Israel afirmou que Teerã pode ser pressionado a aceitar termos considerados favoráveis por Washington.

Analistas avaliam que, após um período recente de forte volatilidade, o mercado passa por um processo de ajuste. O foco renovado nos indicadores econômicos dos Estados Unidos sugere uma busca por maior racionalidade nos preços. Além disso, o feriado do Ano Novo Lunar na China pode reduzir temporariamente a liquidez e o apetite por risco no segmento de metais.

Especialistas também apontam que o aumento do uso de instrumentos alavancados e contratos futuros por investidores chineses pode ter contribuído para movimentos especulativos recentes no ouro. Esse comportamento tende a ampliar oscilações e favorecer episódios de correção abrupta, como os observados no início do ano.