Filha de Kim Jong-un surge como nome para sucessão na Coreia do Norte

Presença pública de Kim Ju-ae amplia especulações sobre futuro do regime (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A filha de Kim Jong-un passou a ocupar um espaço cada vez mais visível na cena pública da Coreia do Norte, movimento que, segundo a Agência Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, pode indicar preparação para uma futura sucessão no comando do país. A avaliação foi compartilhada com parlamentares sul-coreanos em reunião fechada e reforça as especulações sobre os rumos da dinastia que governa o regime desde 1948.

Conhecida como Kim Ju-ae, a adolescente tem acompanhado o pai em compromissos estratégicos, especialmente ligados ao programa militar. Desde sua primeira aparição oficial, em novembro de 2022, durante o lançamento de um míssil balístico intercontinental, sua participação em eventos aumentou de forma gradual. Analistas observam que o destaque concedido a ela foge ao padrão tradicionalmente reservado a familiares do líder.

De acordo com informações repassadas por deputados após o encontro com a inteligência sul-coreana, a jovem já seria tratada internamente como figura de grande relevância política. O serviço de inteligência informou ainda que acompanhará atentamente a eventual presença dela em um congresso importante do partido governista, previsto para as próximas semanas, considerado decisivo para a definição das prioridades do regime.

A vida privada da família Kim é cercada de sigilo. Kim Jong-un manteve em reserva inclusive detalhes sobre o casamento com Ri Sol-ju, que só apareceu publicamente anos após a união. A existência de Kim Ju-ae veio à tona em 2013, quando o ex-jogador de basquete Dennis Rodman relatou ter conhecido a criança durante visita ao país. Desde então, poucas informações foram confirmadas oficialmente.

Especialistas estimam que ela esteja no início da adolescência. A inteligência sul-coreana afirma que a jovem recebe educação domiciliar em Pyongyang e pratica atividades como equitação, natação e esqui. Também há relatos de que possui irmãos, que nunca foram exibidos em cerimônias públicas.

A imprensa estatal norte-coreana tem adotado termos tradicionalmente associados a figuras de alta hierarquia ao se referir à filha do líder, o que é interpretado por observadores como um sinal político. Em um sistema que sustenta a narrativa de uma linhagem quase sagrada da família Kim, a consolidação de um herdeiro é tema sensível e estratégico.

Ainda não há indicação concreta de que uma transição esteja próxima. Kim Jong-un permanece ativo e rumores anteriores sobre problemas de saúde não se confirmaram. Para parte dos analistas, a exposição pública da filha pode funcionar tanto como teste de aceitação entre elites e população quanto como construção gradual de legitimidade para o futuro.

Caso a sucessão se confirme, Kim Ju-ae poderá se tornar a primeira mulher a liderar o país desde a fundação do regime comunista. Por ora, sua presença constante ao lado do pai segue sendo um dos sinais mais observados por quem acompanha a política de um dos países mais fechados do mundo.