A Alemanha avalia a criação de um fundo dedicado ao financiamento de minerais considerados essenciais para a indústria e para a segurança nacional. A informação foi confirmada pelo ministro das Finanças, Lars Klingbeil, que afirmou que o governo ainda discute como viabilizar os recursos necessários e não tomou decisão definitiva sobre eventual flexibilização das regras fiscais.
Em entrevista à Bloomberg TV durante a Conferência de Segurança de Munique, o ministro destacou que o país já iniciou, no ano passado, um movimento para reforçar sua resiliência na área de matérias-primas críticas. Segundo ele, foram direcionados volumes expressivos de recursos públicos para reduzir vulnerabilidades nas cadeias de suprimento.
Klingbeil ressaltou que a dependência externa desses insumos vai além de um desafio econômico. Para o ministro, a exposição excessiva representa também um risco estratégico. Ele observou que a fragilidade no acesso a minerais estratégicos afeta tanto a competitividade industrial quanto a segurança nacional.
O debate ocorre em meio à preocupação europeia com a concentração da oferta global de minerais em poucos países, especialmente na China, que domina etapas importantes do processamento e da exportação desses materiais. Ao mesmo tempo, o ministro alertou que a busca por alternativas não deve resultar em nova dependência, desta vez dos Estados Unidos.
A discussão alemã está alinhada a um esforço mais amplo da União Europeia para reforçar a competitividade do bloco e reorganizar suas cadeias estratégicas. Líderes europeus avançaram recentemente em um plano de ação que prevê maior integração financeira, coordenação de investimentos em infraestrutura energética e ajustes regulatórios para fortalecer empresas locais.
O pacote, cuja formalização é esperada para março, inclui mecanismos voltados à redução de vulnerabilidades em setores considerados sensíveis, entre eles o de minerais críticos. A iniciativa surge em um cenário marcado por restrições chinesas à exportação de determinados insumos e por tensões comerciais crescentes entre as principais potências econômicas.
Ao defender maior coordenação entre Europa e parceiros internacionais, Klingbeil enfatizou que a autonomia estratégica deve ser construída com equilíbrio. Para ele, assegurar o fornecimento de matérias-primas essenciais tornou-se peça central na agenda econômica e de segurança do continente.
