CPI dos Estados Unidos sobe menos que o previsto em janeiro

Dados reforçam expectativa de manutenção dos juros pelo Fed nas próximas reuniões (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos registrou alta moderada no início do ano e surpreendeu levemente para baixo. Dados divulgados pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos mostram que o índice de preços ao consumidor subiu 0,2% em janeiro na comparação mensal, após avanço de 0,3% em dezembro.

No acumulado de 12 meses, o indicador ficou em 2,4%, desacelerando em relação aos 2,7% observados anteriormente. O resultado veio abaixo das estimativas reunidas pela Reuters, que apontavam expectativa de 0,3% no mês e 2,5% no período anual.

O desempenho do índice ocorre em meio a um mercado de trabalho ainda aquecido e à continuidade do repasse de tarifas comerciais adotadas pelo presidente Donald Trump. Economistas destacam que o início de ano costuma concentrar reajustes de preços, o que pode influenciar a variação mensal.

O chamado núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia por serem mais voláteis, avançou 0,3% em janeiro, após alta de 0,2% em dezembro. Em 12 meses, o núcleo acumulou 2,5%, ligeiramente abaixo do ritmo anterior. Parte desse movimento reflete a saída de leituras mais elevadas registradas no ano passado da base de comparação.

O relatório ganhou relevância adicional após a divulgação recente dos dados de emprego, que indicaram aceleração na geração de vagas e recuo da taxa de desemprego. O cenário reforça a percepção de resiliência da economia americana, mesmo diante de custos de crédito mais elevados.

O Federal Reserve acompanha com atenção a trajetória dos preços, embora utilize como referência principal o índice de gastos com consumo pessoal. A meta oficial de inflação é de 2%. Atualmente, as duas métricas permanecem acima desse objetivo.

Na última reunião, a autoridade monetária decidiu manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%, sinalizando cautela diante de um ambiente econômico que combina crescimento consistente e inflação ainda acima da meta.

A divulgação dos dados de janeiro também marcou a atualização dos fatores de ajuste sazonal, recalibrados para refletir a dinâmica recente dos preços. Analistas avaliam que, após episódios de volatilidade associados a interrupções na coleta de dados no ano anterior, os números tendem a apresentar comportamento mais estável nos próximos meses.