Brasil e Índia negociam acordo para ampliar exportação de feijões em 2026

Acordo com Índia pode fortalecer exportações brasileiras de feijão (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O governo brasileiro e autoridades da Índia avançaram nas tratativas para firmar um acordo preferencial voltado à exportação de feijões. A expectativa do setor produtivo é que a formalização do protocolo ocorra ainda neste ano, abrindo caminho para maior estabilidade nos embarques a partir de 2026.

O entendimento é considerado estratégico por representantes da cadeia de pulses, especialmente para as variedades mungo e guandu, que concentram o interesse do mercado indiano. As questões sanitárias entre os ministérios dos dois países já foram equacionadas, restando a validação política para que o acordo seja oficializado.

A Índia figura entre os maiores consumidores globais de leguminosas e mantém forte dependência de importações para suprir a demanda interna. Em 2024, o país asiático importou cerca de 6 milhões de toneladas desses produtos, movimentando bilhões de dólares. O guandu, amplamente utilizado na culinária local, responde por parcela significativa desse volume.

Embora o Brasil não tenha exportado guandu para o mercado indiano no último ano, ampliou o envio de outras variedades, com destaque para o mungo-preto. A expectativa é que um acordo preferencial reduza incertezas comerciais, estimule novos contratos e fortaleça a presença brasileira em um dos principais destinos globais do setor.

Dados do Instituto Brasileiro dos Feijões e Pulses indicam que o país deverá embarcar cerca de 420 mil toneladas de feijões em 2026 para diferentes mercados, volume inferior ao projetado para 2025. Segundo a entidade, a redução está ligada a ajustes no mix exportado e não a perda de competitividade.

Entre as variedades com maior potencial estão o mungo-preto e o mungo-verde. O mungo-preto foi lançado oficialmente no país em 2024 pelo Instituto Agronômico de Campinas, ampliando a inserção do Brasil no comércio internacional dessa leguminosa. Outras cultivares também vêm ganhando espaço, impulsionadas por investimentos em pesquisa e tecnologia.

O setor ressalta que o crescimento das exportações não compromete o abastecimento interno, sustentado principalmente pelo feijão-carioca, destinado ao consumo doméstico. A expansão internacional é atribuída à integração entre centros de pesquisa, produtores e tradings, além de ações de promoção comercial no exterior.

Caso o acordo com a Índia seja confirmado, representantes do segmento avaliam que o Brasil poderá consolidar posição como fornecedor regular de pulses ao mercado asiático, reduzindo oscilações e ampliando a previsibilidade para o planejamento da safra.