Nasa lança foguetes para investigar correntes elétricas da aurora boreal

Dados podem ajudar a proteger satélites e sistemas de comunicação (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A NASA realizou o lançamento de três foguetes suborbitais com o objetivo de aprofundar os estudos sobre as correntes elétricas associadas à aurora boreal. As missões partiram do Campo de Pesquisa Poker Flat, no Alasca, e integram dois projetos científicos distintos voltados à análise do fenômeno.

A primeira iniciativa, chamada Black and Diffuse Auroral Science Surveyor, enviou um foguete a cerca de 360 quilômetros de altitude. No dia seguinte, a missão Geophysical Non-Equilibrium Ionospheric System Science, conhecida como Gneiss, lançou dois veículos que alcançaram pouco mais de 319 quilômetros. As operações foram conduzidas por equipes lideradas por pesquisadoras da agência espacial norte-americana e de instituições acadêmicas dos Estados Unidos.

A aurora boreal ocorre quando partículas carregadas provenientes do Sol interagem com a atmosfera terrestre. Ao colidirem com gases presentes em grandes altitudes, essas partículas liberam energia na forma de luz, produzindo os conhecidos arcos e cortinas coloridas no céu. Embora o mecanismo básico seja conhecido, ainda existem lacunas sobre o comportamento das correntes elétricas envolvidas no processo.

Um dos principais desafios científicos é compreender o trajeto dos elétrons após a liberação de energia. A chamada corrente de retorno se manifesta de maneira dispersa e turbulenta, influenciada por variações nos campos magnéticos e elétricos, além de mudanças atmosféricas. Essa complexidade dificulta a observação direta e a modelagem precisa do sistema.

Na missão Gneiss, os foguetes liberaram submódulos que mediram a densidade do plasma e mapearam possíveis caminhos das correntes elétricas. Os dados coletados permitiram a construção de uma representação tridimensional do ambiente elétrico sob a aurora. Já a Black and Diffuse Auroral Science Surveyor concentrou-se nas chamadas auroras negras, regiões mais escuras dentro do fenômeno luminoso que podem revelar pontos críticos na dinâmica das correntes.

Segundo a NASA, as informações reunidas serão analisadas nos próximos meses. Além de ampliar o conhecimento sobre o funcionamento das auroras, os resultados podem contribuir para aprimorar previsões de clima espacial, proteger satélites e reduzir riscos a sistemas de navegação e comunicação, como GPS e redes de transmissão de dados.