Revista Poder

Déficit comercial dos Estados Unidos atinge nível recorde em 2025

Donald Trump apresenta tabela com tarifas aplicadas a diferentes países (Foto: Reprodução/Brendan Mialowski/AFP)

O déficit comercial dos Estados Unidos alcançou novos patamares em 2025, segundo dados divulgados pelo Departamento de Comércio nesta quinta-feira (19). Mesmo após a imposição de tarifas elevadas sobre bens importados de quase todos os parceiros comerciais do país, o saldo negativo continuou a crescer, evidenciando desequilíbrios persistentes na maior economia do mundo.

O déficit de bens dos EUA atingiu 1,24 bilhão de dólares ao longo do ano, ligeiramente superior ao registrado em 2024. Entre os destaques, o déficit com a China apresentou redução, reflexo de ajustes comerciais e da escalada tarifária entre Washington e Pequim, embora o comércio global tenha permanecido volátil.

Considerando bens e serviços, o déficit total norte-americano foi de 901,5 bilhões de dólares, uma pequena queda em relação ao ano anterior, quando o valor chegou a 903,5 bilhões de dólares. No entanto, o mês de dezembro registrou um aumento expressivo de 32,6% no déficit, para 70,3 bilhões de dólares, devido à retração das exportações e ao crescimento das importações, especialmente de equipamentos industriais e de tecnologia.

Em abril de 2025, o então presidente Donald Trump elevou tarifas sobre produtos de diversos países, incluindo 10% sobre importações brasileiras, numa tentativa de reduzir o déficit e incentivar a produção doméstica. As medidas elevaram a tarifa média americana ao maior nível desde a década de 1930, mas não impediram que o saldo negativo atingisse novos recordes.

Economistas destacam que, embora a guerra tarifária tenha contribuído para reduzir o déficit com algumas nações, o aumento das importações de bens de capital e suprimentos industriais, bem como a dependência de cadeias globais, manteve o déficit em níveis elevados.

O cenário de 2025 evidencia o desafio estrutural da economia americana em equilibrar comércio e produção interna, mesmo diante de políticas protecionistas.

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