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União Europeia suspende análise de acordo comercial após novas tarifas dos EUA

Parlamento Europeu pausa votação de pacto comercial diante de incertezas nos EUA (Foto: Reprodução/G1)

O Parlamento Europeu decidiu suspender a tramitação do acordo comercial firmado com os Estados Unidos depois do anúncio de novas tarifas globais pelo presidente Donald Trump. A medida amplia a incerteza sobre o futuro do entendimento negociado entre Bruxelas e Washington e reacende tensões na relação transatlântica.

A decisão foi tomada pela Comissão de Comércio Internacional da Casa, que realizou reunião extraordinária para avaliar o cenário após a recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou o tarifaço adotado em 2025. Em resposta, Trump anunciou uma nova sobretaxa global de 10 por cento, posteriormente elevada para 15 por cento, com base em legislação comercial da década de 1970.

Diante da mudança, os eurodeputados optaram por interromper o processo de implementação do acordo concluído em julho entre a União Europeia e os Estados Unidos. O texto previa a fixação de tarifas de até 15 por cento para a maior parte dos produtos europeus exportados ao mercado americano, percentual inferior aos 30 por cento inicialmente ameaçados pela Casa Branca. Em contrapartida, o bloco europeu se comprometeu a eliminar tarifas sobre bens americanos, medida que depende de aprovação parlamentar.

Integrantes da comissão afirmaram que a votação só será retomada quando houver clareza sobre o alcance e a duração das novas tarifas. Pela legislação invocada por Trump, a sobretaxa tem prazo limitado e pode ser prorrogada apenas com aval do Congresso americano.

A Comissão Europeia também solicitou explicações formais ao governo dos Estados Unidos para entender como as novas medidas se encaixam no acordo negociado. O receio em Bruxelas é que a mudança unilateral comprometa o equilíbrio alcançado após meses de negociações.

O impacto das decisões americanas não se restringe à Europa. A China informou que avalia as consequências das tarifas e voltou a cobrar a suspensão do que classificou como medidas unilaterais. Autoridades chinesas afirmaram que irão defender seus interesses comerciais.

Analistas europeus observam que a decisão da Suprema Corte representa um freio institucional às iniciativas do presidente americano, ao reafirmar a necessidade de participação do Congresso em medidas de grande alcance econômico. Ao mesmo tempo, a reação imediata da Casa Branca adiciona um novo elemento de instabilidade ao comércio internacional.

Com o adiamento, o Parlamento Europeu ganha tempo para reavaliar a estratégia do bloco. A expectativa agora se volta para os próximos movimentos de Washington e para o discurso de Trump sobre o Estado da União, previsto para esta semana, que poderá sinalizar os rumos da política comercial americana.

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