O volume de crédito no país voltou a mostrar aceleração no início de 2026, mesmo com a taxa básica de juros no maior nível em duas décadas. Levantamento da Federação Brasileira de Bancos indica que a carteira total das instituições financeiras deve encerrar janeiro com crescimento de 0,2 por cento no mês, já descontados efeitos sazonais, e alta de 10,4 por cento em 12 meses.
O avanço interrompe uma sequência de desaceleração nas concessões acumuladas ao longo do último ano. Ainda assim, representantes do setor demonstram preocupação com a qualidade dessa expansão, especialmente pelo aumento da participação de modalidades consideradas mais arriscadas.
O impulso recente foi liderado pelo crédito às famílias, que registrou alta de 0,9 por cento em janeiro e crescimento de 11,2 por cento na comparação anual. As linhas livres, como rotativo e empréstimos de curto prazo, tiveram destaque, impulsionadas por despesas típicas do começo do ano, como tributos e compromissos sazonais. Essas modalidades costumam apresentar custos mais elevados e maior probabilidade de atraso.
Já o crédito destinado às empresas recuou 1,1 por cento no mês, refletindo a menor atividade econômica no início do ano. Apesar disso, no acumulado em 12 meses, a expansão segue positiva, em torno de 9 por cento. O segmento direcionado, que inclui recursos com apoio governamental e financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, manteve ritmo mais robusto.
Segundo a entidade, as novas concessões devem apresentar retração na comparação com dezembro, mas avançar em relação a janeiro do ano passado. O crescimento anual das liberações interrompeu nove meses consecutivos de desaceleração.
Para o diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, Rubens Sardenberg, o desempenho mostra resiliência do mercado de crédito, mesmo em ambiente monetário restritivo. Ele ressalta, no entanto, que a composição da carteira exige atenção. A maior presença de operações de risco mais elevado pode pressionar os índices de inadimplência ao longo do ano.
O comportamento dos calotes será monitorado de perto pelo setor financeiro e pelo Banco Central do Brasil, que divulgará dados detalhados sobre crédito nos próximos dias. A evolução desse indicador será decisiva para avaliar a sustentabilidade do crescimento observado no início do ano.
