O governo federal suspendeu temporariamente as importações de amêndoas de cacau provenientes da Costa do Marfim após avaliação técnica que apontou risco fitossanitário nas cargas destinadas ao Brasil. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira e passa a valer de forma imediata.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, há indícios de que o intenso fluxo de grãos oriundos de países vizinhos, como Gana, Guiné e Libéria, possa resultar na mistura de produtos antes da exportação. Parte dessas nações não possui autorização para vender cacau ao Brasil, o que eleva o risco de entrada de pragas e doenças inexistentes no território nacional.
O governo determinou que áreas responsáveis por relações internacionais e defesa agropecuária apurem possíveis casos de triangulação comercial. A suspensão será mantida até que as autoridades marfinenses apresentem manifestação formal e assegurem que as remessas destinadas ao Brasil tenham rastreabilidade e origem regular.
O Brasil é produtor relevante de cacau e atende aproximadamente 80 por cento da demanda interna. O restante depende de importações. Em 2025, a produção nacional somou mais de 186 mil toneladas, enquanto as compras externas ultrapassaram 42 mil toneladas. A maior parte desse volume teve origem justamente na Costa do Marfim, principal produtor mundial da commodity.
A decisão ocorre após pressão de entidades do setor agrícola, especialmente de estados como Pará e Bahia, que vinham defendendo medidas para resguardar as lavouras brasileiras. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil avaliou a suspensão como necessária para evitar riscos sanitários e proteger a produção nacional.
Por outro lado, representantes da indústria processadora manifestaram preocupação com a interrupção do fornecimento externo. A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau defendeu que decisões dessa magnitude sejam fundamentadas exclusivamente em critérios técnicos e baseadas em análises de risco consistentes.
A expectativa agora é que o governo da Costa do Marfim apresente esclarecimentos e informações detalhadas sobre os controles adotados. Até lá, o comércio bilateral de cacau permanece suspenso, com impactos potenciais tanto para produtores quanto para a indústria brasileira.
