Planalto desiste de elevar imposto de importação sobre eletrônicos

Decisão restabelece alíquotas anteriores para smartphones e mantém tarifa zerada para mais de cem itens

Decisão restabelece alíquotas anteriores para smartphones e mantém tarifa zerada para mais de cem itens

Após enfrentar críticas no Congresso e forte reação nas redes sociais, o governo federal decidiu voltar atrás no aumento do imposto de importação sobre produtos eletrônicos. A medida havia sido anunciada no início do mês e previa elevação de até 7,2 pontos percentuais em determinadas categorias.

A revisão foi formalizada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, órgão vinculado à estrutura da política comercial brasileira. Com a nova deliberação, 105 produtos voltam a ter tarifa zerada, enquanto outros 15 itens de informática permanecem tributados, porém com as alíquotas anteriores à mudança.

Entre os produtos que tiveram os percentuais restabelecidos estão smartphones e notebooks, que retornam ao patamar de 16%. Componentes como placas-mãe, gabinetes com fonte de alimentação, mouses, mesas digitalizadoras e unidades de armazenamento SSD também voltam às taxas praticadas antes da tentativa de reajuste.

A proposta original tinha como justificativa o avanço das importações de bens de capital e equipamentos de tecnologia nos últimos anos. Integrantes da equipe econômica argumentavam que o crescimento dessas compras no exterior poderia comprometer a competitividade da indústria nacional e pressionar segmentos estratégicos da cadeia produtiva.

Do outro lado, representantes do setor de importação e comércio eletrônico alertavam para possíveis impactos nos preços ao consumidor e no ritmo de modernização tecnológica do país. Havia receio de que o encarecimento dos produtos reduzisse a oferta e ampliasse custos para empresas que dependem desses equipamentos para operar.

O governo estimava arrecadar bilhões de reais adicionais com a elevação das tarifas, o que ajudaria no cumprimento da meta fiscal deste ano. Com a revogação parcial, a expectativa de receitas extras diminui, o que pode exigir ajustes em outras frentes para equilibrar as contas públicas.

A decisão sinaliza sensibilidade política diante da repercussão negativa e reforça o peso do debate sobre competitividade, inflação e política industrial em um cenário de busca por crescimento econômico sustentável.