O bitcoin registrou valorização nesta segunda-feira em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, movimento que reacendeu preocupações com a inflação global e estimulou a busca por ativos alternativos. A disparada dos preços do petróleo, do diesel e do gás natural, após o fechamento de rotas estratégicas de energia na região, reforçou a percepção de que pressões sobre o custo de vida podem se intensificar nas próximas semanas.
No fim da tarde, a criptomoeda era negociada perto de 69 mil dólares, com alta superior a 4%. O ethereum acompanhava o movimento, também com avanço relevante, segundo dados da plataforma Binance.
Analistas avaliam que, embora cenários de aversão ao risco tradicionalmente pressionem ativos voláteis, o bitcoin tende a ganhar tração quando o mercado projeta aceleração inflacionária. A lógica é que, diante da expectativa de perda de poder de compra das moedas tradicionais, parte dos investidores busca proteção em ativos digitais com oferta limitada.
O avanço ocorre após um período prolongado de correção. Dados da exchange Bitfinex indicam que a criptomoeda acumulou cinco meses consecutivos de queda até fevereiro, com desvalorização expressiva em relação ao pico registrado no fim de 2025. Mesmo assim, a faixa entre 60 mil e 62 mil dólares tem funcionado como suporte técnico relevante, sustentando o preço em momentos de maior turbulência.
O conflito envolvendo o Irã amplia o risco de interrupções no fornecimento global de hidrocarbonetos, fator que historicamente pressiona índices de preços ao consumidor. Com energia mais cara, cadeias produtivas tendem a repassar custos, alimentando a inflação. Esse ambiente favorece ativos vistos como reserva de valor alternativa, ainda que com elevada volatilidade.
Paralelamente ao movimento de alta, cresce a pressão regulatória sobre o setor. Um relatório recente do think tank Henry Jackson Society aponta que centenas de bilhões de dólares teriam sido movimentados por meio de criptomoedas em operações de lavagem de dinheiro nas últimas duas décadas. O estudo reúne casos documentados entre 2005 e 2025 e destaca Estados Unidos, Rússia e Reino Unido entre os países com maior número de registros.
O cenário combina, portanto, dois vetores distintos. De um lado, a busca por proteção diante de choques inflacionários impulsiona a demanda por bitcoin. De outro, o avanço de debates regulatórios pode influenciar o comportamento do mercado no médio prazo. Enquanto a guerra no Oriente Médio segue sem solução imediata, investidores acompanham tanto os desdobramentos geopolíticos quanto os sinais de política monetária que podem definir os próximos passos das criptomoedas.
