Conflito no Oriente Médio ameaça exportações brasileiras de frango

Setor de proteína animal monitora alternativas para evitar impactos mais severos

A intensificação do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos acendeu um sinal de alerta no agronegócio brasileiro. Embora não haja, até o momento, interrupções diretas nas vendas externas, o ambiente de instabilidade na região já provoca preocupação entre exportadores de carne de frango, um dos principais produtos embarcados pelo Brasil para o Oriente Médio.

A região tem peso relevante na pauta comercial do agro nacional. Levantamento com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostra que itens como milho, açúcar e proteína animal concentram parcela significativa das exportações para os países do bloco. A carne de frango figura entre os três principais produtos enviados ao mercado árabe, altamente dependente de importações para garantir o abastecimento interno.

O receio do setor não está relacionado à demanda, que tende a se manter firme, mas às condições de transporte. Rotas estratégicas do comércio global passam por áreas sensíveis, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho. Uma escalada militar mais ampla pode resultar em aumento dos prêmios de seguro marítimo, elevação do custo do combustível das embarcações e necessidade de rotas alternativas, o que amplia prazos e despesas.

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal informou que acompanha a situação e avalia cenários logísticos. A entidade afirma que empresas associadas monitoram possíveis pontos de gargalo e estudam caminhos já utilizados em momentos anteriores de crise na região. Segundo a associação, não há volume expressivo de embarques destinados ao Irã, o que reduz a exposição direta ao país.

Ainda assim, o impacto tende a ocorrer de forma indireta. O Oriente Médio ocupa posição central no mercado internacional de petróleo, e qualquer ameaça ao fluxo da commodity costuma pressionar os preços globais. Com energia mais cara, sobem também os custos de produção, transporte e insumos agrícolas, como fertilizantes.

Para a cadeia do frango, que opera com margens apertadas e enfrenta concorrência acirrada no mercado internacional, o aumento do frete marítimo pode reduzir competitividade. Além disso, eventuais atrasos nas entregas exigem ajustes logísticos que elevam despesas operacionais.

Outros produtos relevantes na pauta exportadora, como milho e açúcar, também ficam expostos à volatilidade cambial e aos custos de transporte. Especialistas avaliam que crises geopolíticas no Oriente Médio raramente provocam queda abrupta na demanda por alimentos, mas aumentam a imprevisibilidade e dificultam o planejamento das empresas.

No curto prazo, o setor mantém foco no monitoramento das rotas e dos preços do frete. Em um horizonte mais amplo, a evolução das cotações do petróleo e a duração das tensões militares devem definir o tamanho do impacto sobre o desempenho do agronegócio brasileiro.