Crise no Oriente Médio paralisa milhares de voos pelo mundo

Mais de 7 mil voos foram cancelados em três dias, afetando passageiros e empresas do setor globalmente

O conflito no Oriente Médio provocou um dos maiores colapsos da aviação global desde a pandemia, com mais de 7 mil voos cancelados em apenas três dias. A interrupção afeta aeroportos do Golfo Pérsico e se espalha por diversas rotas internacionais, impactando companhias aéreas e redes de turismo em todo o mundo.

Somente nesta segunda-feira, 1.555 partidas foram suspensas, elevando o total desde sábado para 7.511 decolagens. A maior parte dos cancelamentos ocorre em aeroportos estratégicos, como Dubai e Abu Dhabi, onde o espaço aéreo foi fechado devido a ataques aéreos entre Irã, Israel e Estados Unidos. Plataformas de monitoramento, como FlightAware, e consultorias do setor, como Cirium, alertam que os números reais podem ser ainda maiores, já que dados de alguns países não estão totalmente disponíveis.

Empresas aéreas globais anunciaram suspensões temporárias. A Emirates paralisou voos regulares de e para Dubai até terça-feira à tarde, enquanto a Etihad Airways e a Qatar Airways prolongaram as interrupções de suas operações. Na Ásia, a Cathay Pacific cancelou voos para destinos do Oriente Médio até quinta-feira, e a IndiGo estendeu suspensões na Índia.

O impacto financeiro foi imediato. As ações de grandes companhias aéreas europeias sofreram quedas acentuadas: Lufthansa recuou até 11%, International Airlines Group, dona da British Airways, caiu 13%, e Air France-KLM perdeu 10%. Empresas do setor de turismo também registraram perdas, com a TUI caindo 8,5%, a rede Accor e a Carnival Corporation sofrendo recuos significativos.

Dezenas de milhares de passageiros ficaram retidos em aeroportos do Golfo, que funcionam como hubs globais, conectando regiões da Europa, Ásia e América com apenas uma escala. A Autoridade de Aviação Civil dos Emirados informou ter atendido mais de 20 mil pessoas afetadas pelas paralisações.

Embora interrupções parciais no Golfo não sejam incomuns, a magnitude desta suspensão é inédita. Especialistas afirmam que a crise pode prolongar-se se o conflito se intensificar, aumentando a pressão sobre fretes, seguros e logística da aviação internacional, além de afetar a retomada do setor próximo à alta temporada de verão no Hemisfério Norte.