A intensificação dos confrontos entre Irã e Israel provocou um choque imediato no mercado internacional de energia. Nesta segunda-feira, os preços do gás natural na Europa avançaram mais de 50%, impulsionados pela paralisação de embarques de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito que atravessam o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global.
No início da tarde, o contrato de referência negociado na Holanda registrava forte valorização em relação ao fechamento da sexta-feira, refletindo o temor de interrupções prolongadas no fornecimento. No Reino Unido, o movimento foi semelhante, com alta expressiva nos contratos futuros, segundo dados do mercado.
Grandes companhias do setor energético e proprietários de navios-tanque interromperam temporariamente o tráfego pela hidrovia após alertas emitidos por autoridades iranianas. A medida elevou o grau de incerteza em torno do abastecimento global de gás e petróleo.
A estatal QatarEnergy confirmou a suspensão da produção de gás natural liquefeito em instalações industriais no Catar após ataques militares na região. A companhia informou que a paralisação atinge unidades responsáveis por parte relevante da oferta mundial da commodity.
Cerca de um quinto do GNL comercializado no planeta passa pelo Estreito de Ormuz. Uma interrupção mais longa pode intensificar a disputa entre compradores europeus e asiáticos por cargas disponíveis, especialmente dos Estados Unidos, reduzindo a oferta na bacia do Atlântico e pressionando ainda mais os preços.
Especialistas apontam que mesmo uma restrição parcial no tráfego marítimo já seria suficiente para elevar significativamente as cotações. Em um cenário de redução contínua dos fluxos, o valor do gás na Europa poderia alcançar novos patamares, ampliando os custos para indústrias e consumidores.
O momento é particularmente delicado para o continente. Nos últimos anos, os países europeus ampliaram as importações de GNL com o objetivo de diminuir a dependência do gás russo após a invasão da Ucrânia. Com o inverno tendo reduzido os níveis de armazenamento para cerca de 30% da capacidade, segundo dados da Gas Infrastructure Europe, o espaço para absorver novos choques é limitado.
Analistas alertam que estoques mais baixos em comparação ao mesmo período do ano anterior tornam o mercado ainda mais sensível a qualquer restrição de oferta no Oriente Médio. Caso a instabilidade persista, a volatilidade deve continuar elevada, com reflexos diretos sobre inflação e crescimento econômico na região.