A Guarda Revolucionária do Irã consolidou seu papel no comando das operações militares e políticas em meio ao conflito com os Estados Unidos e Israel, segundo especialistas e fontes regionais. Apesar da morte de comandantes de alto escalão, a força adotou uma estratégia de descentralização que permite que oficiais de escalões intermediários conduzam ataques e mantenham a resposta militar contínua.
O movimento reforça a linha-dura de Teerã e pode reduzir a probabilidade de protestos internos, minando expectativas externas de que a pressão militar leve a uma mudança de regime. O controle concentrado da Guarda também se mantém diante da morte do líder supremo Ali Khamenei, com a possibilidade de seu filho, Mojtaba, assumir influência direta sobre a força, fortalecendo ainda mais o papel do grupo na política iraniana.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, cada unidade da Guarda recebeu sucessores designados para posições-chave, garantindo continuidade operacional caso líderes sejam eliminados. Essa estrutura, desenvolvida desde os anos 2000 após a invasão do Iraque, permite que o Irã mantenha a defesa regional e a segurança interna de forma coordenada, mesmo sob ataques diretos.
A descentralização da Guarda se reflete nas recentes operações, que incluem disparos de mísseis e ataques com drones em territórios vizinhos, como a Turquia, membro da Otan. Autoridades iranianas afirmam que as ações seguem instruções gerais previamente definidas, sem necessidade de comando em tempo real da liderança política.
O histórico da Guarda Revolucionária combina poder militar, influência econômica e atuação política, consolidando-se como um estado dentro do Estado. Desde a Revolução Islâmica de 1979, a força tem desempenhado papel central na defesa do regime, na condução de projetos estratégicos, como o programa nuclear, e na presença regional do Irã, incluindo apoio a grupos xiitas.
Analistas alertam que, embora a Guarda esteja mais unida do que nunca, a multiplicidade de comandos e a perda de líderes podem gerar erros de cálculo ou escalada do conflito. A força permanece, no entanto, como principal garantidora da sobrevivência do regime e da continuidade das políticas de Teerã na região, controlando tanto a defesa quanto a segurança interna e a economia.