Revista Poder

Bancos acertam antecipação de R$ 32,5 bilhões ao FGC após crise envolvendo o Master

Recursos serão pagos ainda em março para fortalecer a proteção a depositantes

Instituições financeiras que integram o Fundo Garantidor de Créditos vão antecipar cinco anos de contribuições ao fundo, somando R$ 32,5 bilhões. O pagamento está programado para 25 de março e tem como objetivo fortalecer a reserva financeira da entidade após o impacto provocado por liquidações de bancos associadas ao conglomerado do Banco Master.

A decisão foi comunicada pelo próprio FGC nesta quinta-feira (5). Segundo a entidade, a antecipação segue regras previstas em seu estatuto e busca preservar a capacidade do fundo de cumprir suas obrigações com depositantes e investidores em caso de quebra de instituições financeiras.

A recomposição do caixa ocorre depois que o Banco Central decretou, desde o ano passado, a liquidação de diversas instituições relacionadas ao grupo Master. Estimativas do próprio fundo indicam que os casos envolvendo o Banco Master, o Will Bank e o Banco Pleno podem gerar compromissos de pagamento que ultrapassam R$ 50 bilhões.

Até o momento, o FGC já liberou R$ 38,4 bilhões em garantias a clientes de instituições ligadas ao conglomerado. Cerca de 675 mil credores receberam valores referentes a depósitos protegidos pelo mecanismo de garantia. Os pagamentos continuam sendo realizados por meio do aplicativo do fundo, utilizado para comunicação e liberação das indenizações.

Em relação às demais instituições em liquidação, as projeções indicam desembolsos adicionais relevantes. O Will Bank pode gerar pagamentos de aproximadamente R$ 6,3 bilhões em garantias, enquanto o Banco Pleno deve exigir cerca de R$ 4,9 bilhões.

O Fundo Garantidor de Créditos é mantido por contribuições mensais feitas pelos próprios bancos participantes do sistema financeiro. Antes da crise envolvendo instituições ligadas ao Master, o fundo possuía mais de R$ 140 bilhões em recursos disponíveis para cobrir depósitos e aplicações protegidas, como CDBs, poupança, LCI e LCA.

O episódio também reacendeu o debate sobre o modelo de financiamento do fundo. Especialistas defendem mudanças que façam bancos com maior exposição a riscos contribuir com valores mais elevados para o sistema de garantia.

Nos últimos meses, o Conselho Monetário Nacional já adotou ajustes nas regras, criando uma cobrança adicional para instituições consideradas mais vulneráveis e ampliando exigências sobre a aplicação de parte dos recursos em títulos públicos.

O FGC também alertou para tentativas de fraude relacionadas ao pagamento das garantias. Segundo o fundo, não há contato por telefone, aplicativos de mensagens ou redes sociais para solicitar dados pessoais, senhas ou códigos de verificação. Toda comunicação oficial ocorre apenas pelos canais institucionais.

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