A defasagem do diesel comercializado nas refinarias da Petrobras voltou a subir e chegou a 47%, segundo levantamento da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). O indicador mede a diferença entre o valor praticado internamente e os preços no mercado internacional, refletindo a pressão da alta do petróleo e dos derivados.
O efeito é mais visível em polos de importação, como Paulínia, em São Paulo, e Araucária, no Paraná, onde o diesel chega a custar quase metade do preço cobrado no exterior, atingindo 49% de defasagem. O movimento se intensifica após reajustes aplicados por refinarias privadas na Bahia e no Amazonas, que elevaram o diesel em R$ 0,28 por litro na Refinaria de Mataripe e R$ 0,57 por litro na Ream, em Manaus.
A Petrobras mantém o diesel sem reajuste há 304 dias, enquanto a gasolina sofreu o último ajuste há 38 dias, com redução de R$ 0,14 por litro. Segundo a Abicom, para igualar os preços aos praticados internacionalmente, a estatal precisaria elevar o diesel em R$ 1,51 por litro e a gasolina em R$ 0,47 por litro.
O preço da gasolina também mostra tendência de defasagem, sendo 19% mais barato nas refinarias da Petrobras e 16% considerando as refinarias privadas. A Acelen, que opera no Nordeste, manteve o valor da gasolina estável, enquanto a Ream aplicou aumento de R$ 0,35 por litro.
A alta dos combustíveis no mercado global tem sido impulsionada pela tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã, pressionando os preços do petróleo e provocando ajustes graduais nos mercados internacionais. A diferença entre os valores internos e externos evidencia o desafio da Petrobras em equilibrar preços domésticos e competitividade internacional.