Taxa de desemprego se mantém em 5,4% no início do ano, diz IBGE

Nível é estável em relação ao trimestre anterior e registra queda significativa em um ano

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua). O resultado se manteve igual ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, e representa uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o índice era de 6,5%.

De acordo com Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, trata-se do menor nível registrado para trimestres encerrados em janeiro e demonstra estabilidade do mercado de trabalho. “Embora haja uma tendência de queda no desemprego, é comum que no início do ano ele aumente devido ao fim das vagas temporárias do fim do ano. Ainda assim, a melhora anual é significativa”, explicou.

O levantamento mostra que a população desocupada somava 5,9 milhões de pessoas, número estável frente ao trimestre anterior, mas 17,1% menor do que em janeiro de 2025, quando havia cerca de 1,2 milhão de pessoas a mais sem emprego. A população ocupada alcançou 102,7 milhões, praticamente inalterada frente ao trimestre anterior, mas com crescimento de 1,7% em relação ao ano passado, com a entrada de 1,7 milhão de trabalhadores no mercado.

O nível de ocupação, que mede a proporção da população em idade de trabalhar efetivamente empregada, ficou em 58,7%, estável em relação ao trimestre anterior e 0,5 ponto percentual acima de janeiro de 2025. Já a população subocupada por insuficiência de horas somou 4,5 milhões de pessoas, sem variação relevante.

O levantamento do IBGE também destaca a distribuição entre empregos formais e informais. O número de trabalhadores com carteira assinada atingiu 39,4 milhões, com crescimento anual de 2,1%, enquanto os sem carteira ficaram em 13,4 milhões. Trabalhadores por conta própria chegaram a 26,2 milhões, alta de 3,7% em relação ao ano anterior, e o contingente de trabalhadores domésticos caiu 4,5%, para 5,5 milhões. A informalidade no país representa 37,5% da população ocupada, ou 38,5 milhões de pessoas.

Em termos de renda, o rendimento real médio habitual ficou em R$ 3.652, aumento de 2,8% no trimestre e 5,4% na comparação anual. A massa de rendimentos alcançou R$ 370,3 bilhões, com crescimento de 2,9% frente ao trimestre anterior e alta de 7,3% em relação a janeiro de 2025.

O economista Maykon Douglas ressalta que os números indicam um mercado de trabalho aquecido. “O desemprego se mantém em mínima histórica, com crescimento no número de empregados e na massa salarial. Essa combinação impulsiona consumo e renda, mas exige atenção da política monetária para controlar a inflação”, afirmou.

Analistas esperam uma leve elevação do desemprego nos próximos meses, movimento tradicional no início do ano, mas projetam que a média anual de 2026 deve fechar em torno de 5,2%, abaixo do registrado em 2025.