Conflito com Irã reacende temor inflacionário e pressiona bancos centrais na Europa

Alta do petróleo e risco de choque energético levam investidores a apostar em novos aumentos de juros no continente

A escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel voltou a provocar turbulência nos mercados internacionais e reacendeu o debate sobre inflação nas principais economias. Com a disparada recente do petróleo, investidores passaram a projetar novos aumentos de juros por bancos centrais europeus nos próximos meses.

O movimento ganhou força nesta segunda-feira, quando as cotações do petróleo superaram a marca de US$ 119 por barril, impulsionadas por cortes na oferta de produtores do Oriente Médio e pelo temor de interrupções no transporte marítimo na região do Golfo Pérsico. O encarecimento da energia elevou a preocupação de que o choque de custos possa se espalhar por diferentes setores da economia.

Nos mercados financeiros, as expectativas passaram a indicar uma postura mais rígida de autoridades monetárias na Europa. Investidores aumentaram as apostas de que o Banco Central Europeu poderá elevar os juros ao menos uma vez até meados do ano e novamente antes do fim de 2026. Projeções semelhantes começaram a aparecer para o banco central da Suécia e para a autoridade monetária da Suíça.

Economistas avaliam que o episódio revive lembranças recentes para os formuladores de política econômica. Em 2022, a guerra na Ucrânia provocou uma forte alta nos preços da energia e acabou impulsionando a inflação em diversos países. Na época, muitos bancos centrais foram criticados por reagirem de forma tardia ao avanço dos preços.

Esse histórico tem influenciado o comportamento atual das autoridades monetárias. Para analistas, existe maior cautela entre dirigentes de bancos centrais diante do risco de que um novo choque energético se transforme em pressão inflacionária mais ampla.

Caso o preço do petróleo e do gás permaneça elevado por um período prolongado, o impacto tende a alcançar toda a cadeia produtiva. Combustíveis mais caros aumentam custos de transporte, elevam despesas industriais e podem pressionar preços ao consumidor.

Mesmo assim, parte dos economistas considera que os mercados podem estar reagindo de forma antecipada. Em muitos casos, a política monetária costuma evitar respostas imediatas a choques temporários de oferta, especialmente quando há incerteza sobre a duração do impacto.

O dilema para os bancos centrais será avaliar se a atual alta da energia representa apenas uma turbulência passageira ou o início de um novo ciclo inflacionário. Essa decisão pode determinar o ritmo da política de juros na Europa e em outras regiões nos próximos trimestres.