Em meio a recorde de feminicídios no Brasil, Hapvida destaca canal de denúncia e acolhimento

País registra 1.568 casos do crime em 2025; Canal Delas, ferramenta criada pela Hapvida em parceria com o Instituto Justiça de Saia, já recebe mais de 360 denúncias

São Paulo, março de 2026 – O Brasil registra recorde de feminicídios em 2025, com 1.568 ocorrências em todo o país, segundo dados divulgados às vésperas do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de misoginia e violência doméstica.

Para contribuir de forma efetiva no combate a esse tipo de situação, a Hapvida mantém, em parceria com o Instituto Justiça de Saia, por meio do Projeto Justiceiras, o Canal Delas, um sistema sigiloso e seguro para denúncias e acolhimento de vítimas.

Desde 2022, o serviço registra mais de 360 ocorrências, que resultam em atendimentos mais aprofundados a pelo menos 111 mulheres em situação de violência.

“Mais do que um canal de denúncia, trata-se de uma rede multidisciplinar que orienta sobre medidas protetivas, registro de ocorrência, acesso a serviços públicos e caminhos para a reconstrução da autonomia e da dignidade dessas mulheres”, afirma Flavio Freire, head de Sustentabilidade e Impacto Social na Hapvida.

A ferramenta, inicialmente voltada às colaboradoras da empresa, é expandida para beneficiárias e para o público em geral.

“Esse é um tema especialmente relevante para nós, porque somos uma companhia formada majoritariamente por mulheres. Atualmente, cerca de 75% do nosso quadro de colaboradores é composto por mulheres, o que representa mais de 58 mil profissionais que contribuem diariamente para a construção da história da empresa. Essa representatividade também se reflete nas posições de liderança, onde a presença feminina tem papel expressivo na condução das equipes e no desenvolvimento estratégico da companhia”, ressalta o executivo.

Números alarmantes

O número de feminicídios registrados em 2025, que chega a 1.568 casos e representa recorde histórico no país, indica aumento de 4,7% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 1.492 ocorrências. Desde o início da série histórica, iniciada em 2015 com 449 casos, o crescimento se aproxima de 250%.

“Infelizmente, os números mais recentes mostram que a violência contra a mulher segue como um dos desafios sociais mais urgentes. Por isso, apoiar projetos como esse está totalmente alinhado ao nosso propósito de cuidar das pessoas de forma integral. Essa não é apenas uma questão de segurança pública ou jurídica, mas também um tema de saúde, dignidade e direitos humanos”, completa.

Importância da escuta

A psicóloga Karolayne Oliveira, da Hapvida, ressalta que muitas mulheres precisam superar barreiras emocionais para dar o primeiro passo e sair de um contexto de violência.

“A sociedade julga muito as mulheres. Muitas vezes, a pessoa está sendo agredida e não fala nada, mas o motivo é que ela tem medo. Medo de perder o fator financeiro, medo de ser afastada dos filhos, medo de perder tudo o que acredita ter com aquele parceiro”, explica.

“Não é fácil sair de um relacionamento, não é fácil reiniciar toda uma trajetória. Mas ninguém tem o direito de violentar psicologicamente ou fisicamente uma mulher. Procurar ajuda é fundamental”, acrescenta.

Para a especialista, a ajuda profissional é essencial. As denúncias podem ser feitas de forma anônima. “Também é importante procurar uma rede de apoio. Pode ser uma vizinha, pais ou irmãos, desde que a mulher se sinta de fato apoiada por eles”, afirma.

A psicóloga destaca ainda a importância da psicoeducação. “Quando a mulher entende o que está acontecendo e recebe orientação por meio de políticas públicas, da empresa em que trabalha ou da rede ao seu redor sobre o comportamento de um agressor, ela percebe que pode sair dessa situação antes que algo mais grave aconteça”, finaliza.

Quebrar o ciclo

A advogada especialista na defesa dos direitos das mulheres e fundadora do Projeto Justiceiras, Gabriela Manssur, afirma que romper o silêncio é fundamental para interromper ciclos de violência.

“O Canal Delas, em parceria com o Projeto Justiceiras, é um meio de denúncia sigiloso e multidisciplinar que interrompe ciclos de violência contra a mulher antes que cheguem ao desfecho mais extremo, que é o feminicídio. O silêncio mata. A responsabilidade salva”, afirma.

“O papel das empresas é decisivo nesse enfrentamento. É necessário informar, conscientizar, acolher e oferecer canais seguros de escuta qualificada, com encaminhamentos objetivos para o sistema de justiça. Reduzir os índices de feminicídio exige ação coordenada, dados precisos e coragem institucional para enfrentar a violência de forma estruturada”, completa.

Como denunciar

As denúncias no Canal Delas podem ser feitas pela própria vítima ou por terceiros, 24 horas por dia, sete dias por semana, por meio do portal ou do aplicativo da Hapvida, canais exclusivos para mulheres beneficiárias ou colaboradoras, e também pelo Instagram da empresa. Todos os canais garantem sigilo.

As demandas são atendidas por uma rede multidisciplinar de especialistas voluntárias da ONG, que oferecem apoio jurídico, psicológico, médico e socioassistencial às vítimas.

Pelo portal, disponível para beneficiárias, o acesso é feito após login no endereço https://portal-beneficiario.hapvida.com.br/, na área de serviços, opção “Precisa de Ajuda” e, em seguida, “Canal Delas”.

No aplicativo da Hapvida, disponível para Android e iOS, a denúncia pode ser feita após login na seção “Benefícios”, clicando em “Precisa de Ajuda?”, onde o Canal Delas aparece como opção.

Pelo Instagram, basta acessar o perfil @hapvidasaude e clicar no link disponível na bio. Na opção “Canal da Mulher”, a usuária pode escolher entre relatar violência sofrida, denunciar agressão contra outra mulher ou registrar o caso por meio do WhatsApp.

Sobre a Hapvida

Com cerca de 80 anos de atuação, a Hapvida é hoje a maior empresa de saúde integrada da América Latina. A companhia reúne mais de 73 mil colaboradores e atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia em todas as regiões do Brasil.

A estrutura inclui 86 hospitais, 80 prontos atendimentos, 365 clínicas médicas e 301 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial, além de unidades voltadas ao cuidado preventivo e ao acompanhamento de doenças crônicas. O modelo busca oferecer assistência completa, com integração entre serviços médicos, tecnologia e atendimento aos pacientes.