Minério de ferro sobe e atinge maior nível em um mês com pressão de energia e frete

Custos mais altos no transporte e no combustível, impulsionados pela tensão no Oriente Médio, sustentam valorização da commodity

Os preços do minério de ferro voltaram a subir nesta segunda-feira (9) e atingiram o patamar mais elevado em cerca de um mês, refletindo o aumento dos custos de energia e de transporte no mercado global. A valorização ocorre em meio à instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que tem pressionado o preço do petróleo e afetado o comércio marítimo.

Na Bolsa de Mercadorias de Dalian, na China, o contrato mais negociado para maio avançou 2,28%, encerrando a sessão cotado a 784,5 iuanes por tonelada, o equivalente a aproximadamente US$ 113,44. Foi a sexta alta consecutiva da commodity nesse mercado.

O movimento também foi observado em Cingapura. O contrato de referência para abril registrou valorização de 1,54%, alcançando US$ 103,15 por tonelada. O desempenho reflete a percepção de investidores de que os custos logísticos da cadeia de produção do aço tendem a permanecer pressionados no curto prazo.

A disparada recente do petróleo tem sido um dos principais fatores por trás dessa tendência. O conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel provocou forte alta nas cotações da energia, o que encarece tanto o transporte marítimo quanto as operações industriais ligadas à produção e distribuição de commodities.

Além do impacto direto do combustível mais caro, o mercado também acompanha com atenção o risco de interrupções nas rotas de navegação no Golfo Pérsico. O Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes para o comércio global de energia, tornou-se foco de preocupação diante da possibilidade de bloqueios ou restrições à circulação de navios.

Esse cenário aumenta os custos de frete e cria incertezas na logística internacional, fatores que acabam sendo incorporados aos preços de matérias-primas industriais como o minério de ferro. Para analistas, enquanto persistirem as tensões na região, a volatilidade nos mercados de commodities tende a continuar elevada.