Os preços internacionais do petróleo registraram forte alta nesta segunda-feira após a intensificação do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, ampliando temores de interrupções no fornecimento global de energia. O movimento colocou as cotações do Brent a caminho de uma das maiores altas diárias já registradas no mercado.
Os contratos futuros do Brent avançaram cerca de 16,7%, chegando a US$ 108,20 por barril. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subiu aproximadamente 15,7%, alcançando US$ 105,13. Apesar de os preços terem recuado levemente em relação aos picos do início do dia, os níveis permanecem mais de 15% acima das cotações observadas desde meados de 2022.
A disparada reflete principalmente a preocupação com possíveis interrupções no transporte marítimo de petróleo no Oriente Médio. O foco do mercado está no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo. Qualquer bloqueio ou restrição na região tem potencial de afetar diretamente o abastecimento global.
A instabilidade já começa a impactar o fluxo de navios petroleiros e preocupa especialmente países asiáticos que dependem do petróleo produzido no Golfo Pérsico. A percepção de risco aumentou à medida que ataques, incidentes militares e ameaças contra instalações energéticas foram registrados em diferentes pontos da região.
Entre os episódios recentes estão interrupções em refinarias e ataques próximos a estruturas petrolíferas. Um complexo de refino no Bahrein declarou paralisação por motivo de força maior após um ataque, enquanto autoridades dos Emirados Árabes Unidos relataram um incêndio em área industrial ligada ao setor de petróleo. Na Arábia Saudita, a defesa aérea informou ter interceptado um drone que se dirigia a um campo petrolífero.
A instabilidade também tem provocado ajustes na produção. Iraque e Kuwait iniciaram cortes na extração de petróleo, somando-se à redução anterior no fornecimento de gás natural liquefeito do Catar. Analistas avaliam que outros grandes produtores da região podem ser obrigados a reduzir a produção caso as dificuldades logísticas persistam.
A situação levou governos e organismos internacionais a discutir medidas de emergência para conter o impacto nos preços. Ministros das finanças do G7 e representantes da Agência Internacional de Energia analisam a possibilidade de liberar parte das reservas estratégicas de petróleo para aliviar a pressão sobre o mercado.
Outro fator que contribuiu para a escalada das cotações foi a recente movimentação política no Irã. A escolha de Mojtaba Khamenei como sucessor de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, reforçou entre investidores a percepção de continuidade da linha dura no comando do país, o que tende a dificultar uma rápida redução das tensões regionais.
Analistas avaliam que, caso o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz não seja normalizado em breve, o mercado pode enfrentar um período prolongado de preços elevados. Algumas projeções apontam que o barril do petróleo nos Estados Unidos pode alcançar níveis entre US$ 120 e US$ 130 se a crise continuar se intensificando.